Suíça transfere para Brasil investigação criminal contra Eduardo Cunha

Por ser brasileiro nato, o presidente da Câmara não pode ser extraditado para aquele país europeu; segundo Ministério Público da Confederação Helvética, foram identificadas contas bancárias em nome de Cunha e familiares

Beatriz Bulla e Julia Affonso

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Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Suíça transferiu para o Brasil investigação criminal contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Com a remessa das informações contra o peemedebista naquele país europeu, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, poderá investigá-lo e processá-lo. Eduardo Cunha teria recebido, na Suíça, propina relativa a contratos da Petrobrás.

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A transferência da investigação criminal foi feita por meio da autoridade central dos dois países (Ministério da Justiça). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou a transferência feita pelo Ministério Público da Confederação Helvética.

Veja as suspeitas contra Eduardo Cunha na Lava Jato

1 | 7 "Mula" de Alberto Youssef, Jayme "Careca" relatou em janeiro que levou dinheiro a uma casa no Rio que seria de Eduardo Cunha, mas depois afirmou que não sabia se a casa era do deputado. Saiba maisFoto: Reprodução
2 | 7 Em delação premiada, Alberto Youssef disse em janeiro à força-tarefa do Ministério Público Federal que Cunha era um dos “destinatários finais” de propina em contratos da Petrobrás. O doleiro disse que participou de operação de pagamento de propina a Fernando Baiano – apontado como operador do PMDB no esquema na estatal – que envolveria Cunha. Leia maisFoto: Felix R/Futura Press
3 | 7 Eduardo Cunha divulgou nota em que negava a acusação do doleiro. "Bastava uma simples pesquisa no portal da Câmara para ver todas as propostas que apresentei, e isso posso provar. Só que ele, o procurador, não tem como provar. Simplesmente não fiz qualquer representação e se, por ventura, outros parlamentares fizeram, por que, então, o procurador não pediu inquérito dos outros parlamentares?", escreveu o deputado em nota publicada no seu site da internet. VejaFoto: André Dusek/Estadão
4 | 7 A delação do lobista Júlio Camargo deu origem à denúncia contra deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por corrupção e lavagem de dinheiro. Em seu depoimento, ele afirma que o parlamentar teria exigido US$ 5 milhões de propina em contratos de navios-sonda da Petrobrás. A cobrança foi feita pessoalmente pelo deputado cassado em encontro em 2011, no Rio. Foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 26 anos de prisão, mas deve cumprir, em regime aberto, até cinco anos, pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.Foto: Reprodução
5 | 7 Outros dois alvos da Lava Jato, o executivo Júlio Camargo e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, relataram que Eduardo Cunha recebeu US$ 5 milhões em propinas na contratação de navios-sonda da Petrobrás, em 2006.Foto: Agência Petrobrás
6 | 7 O empresário João Henriques, apontado como lobista do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás, admitiu aos investigadores que abriu uma conta na Suíça para pagar propina a Eduardo Cunha referente a um contrato da estatal para a aquisição de uma área de exploração de petróleo em Benin, na África. Segundo Henriques, o repasse a Cunha foi um pedido de Felipe Diniz, filho do ex-deputado Fernando Diniz (PMDB-MG) – morto em 2009. LeiaFoto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press
7 | 7 O Ministério Público da Suíça abriu uma "ação criminal" contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois de receber um informe do banco usado pelo parlamentar que aponta suspeita de lavagem de dinheiro. Em comunicado divulgado pelo escritório do procurador Michael Lauber (foto) em Berna, a Suíça confirmou que congelou ativos e recursos de Cunha. Investigações rastreiam empresas de fachada abertas em nome do parlamentar e de seus familiares no país europeu, onde foram bloequados cerca de US$ 5 milhões.  Saiba mais Foto: REUTERS/Ruben Sprich

As informações do MP da Suíça relatam contas bancárias em nome de Cunha e familiares. As investigações na Suíça iniciaram em abril deste ano e houve bloqueio de valores.

Os autos serão recebidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça e posteriormente serão remetidos à PGR.

Por ser brasileiro nato, Eduardo Cunha não pode ser extraditado para a Suíça. O instituto da transferência de processo é um procedimento de cooperação internacional, em que se assegura a continuidade da investigação ou processo ao se verificar a jurisdição mais adequada para a persecução penal.

“Com a transferência do processo, o Estado suíço renuncia a sua jurisdição para a causa, que passa a ser do Brasil e de competência do Supremo Tribunal Federal, em virtude da prerrogativa de foro do presidente da Câmara”, diz nota da PGR.

Este é o primeiro processo a ser transferido para o Supremo a pedido da Procuradoria-Geral da República e o segundo da Operação Lava Jato. A primeira transferência de investigação foi a de Nestor Cerveró para Curitiba.

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