Suíça já bloqueou US$ 1 bi em mil contas da Lava Jato, diz Procuradoria

Como resultado da operação, R$ 756,9 milhões oriundos de diversos países foram objeto de repatriação ao Brasil e autoridades firmaram 263 acordos de cooperação internacional

Julia Affonso, Fausto Macedo e Fábio Serapião

23 Junho 2017 | 05h01

Sede da Procuradoria-Geral da República em Brasília. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

A internacionalização da Operação Lava Jato, iniciada em 2014 com a cooperação da Suíça nas investigações envolvendo o esquema de cartelização e propinas na Petrobrás, produziu um resultado impressionante: Genebra já determinou a quebra de sigilo de mais de mil contas bancárias e bloqueou mais de 1 bilhão de dólares.

As informações foram divulgadas pelo secretário de cooperação internacional da Procuradoria-Geral da República, Vladimir Aras, durante o Seminário Brasil-Japão de combate à corrupção, realizado em Brasília.

Como resultado da operação, R$ 756,9 milhões oriundos de diversos países foram objeto de repatriação ao Brasil.

Aras defendeu a eficácia dos acordos de cooperação internacional. “São instrumentos que compartilhamos para que outros países possam melhorar seus modelos anticorrupção, como nós aperfeiçoamos o nosso.”

O procurador destacou que o Ministério Público Federal já fechou 263 pedidos de cooperação internacional no âmbito da Lava Jato. Ao todo, foram realizados 174 pedidos de informações a 38 países, com o objetivo de subsidiar as investigações.

No mesmo sentido, o Brasil recebeu outros 89 pedidos de 28 países que apuram fatos relacionados ao caso.

A maioria dos pedidos dos investigadores brasileiros foi destinada a países europeus e se referem, na maior parte, a informações sobre dados bancários e repatriação de ativos.

Já os pedidos feitos por autoridades estrangeiras se referem, em sua maioria, à relação de empresas com a Petrobrás, provas ligadas à empreiteira Odebrecht e depoimentos de residentes no Brasil.

Ao todo, 32 depoimentos foram tomados pelo Ministério Público Federal em auxílio jurídico a países estrangeiros.

Segundo Aras, a ação coordenada com órgãos brasileiros e a cooperação com outros países ‘são pontos chaves para o êxito de investigações como a Lava Jato’.

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