Frente de 29 subprocuradores da República mira sertanejo Sérgio Reis por convocar greve de caminhoneiros contra ministros do STF

Frente de 29 subprocuradores da República mira sertanejo Sérgio Reis por convocar greve de caminhoneiros contra ministros do STF

Grupo pede investigação criminal contra cantor aliado do presidente Jair Bolsonaro também por mobilização a favor do voto impresso

Rayssa Motta

17 de agosto de 2021 | 19h32

Sérgio Reis. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Alçado do mundo da música ao noticiário político depois convocar uma greve nacional de caminhoneiros contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e em defesa do voto impresso, o cantor sertanejo e ex-deputado Sérgio Reis virou alvo de uma representação assinada, até o momento, por 29 subprocuradores da República.

Documento

O grupo pede a abertura de uma investigação para apurar se o artista cometeu crimes como incitação à subversão da ordem política ou social e incitação ao crime. O documento foi enviada nesta terça-feira, 17, à Procuradoria da República no Distrito Federal.

Os subprocuradores argumentam que é preciso considerar o contexto recente de ‘ameaças de ruptura institucional’ e ‘desrespeito à independência dos Poderes e de seus integrantes’.

“(…) O movimento que está sendo organizado por Sérgio Reis pretende obstruir rodovias, fechar portos, aeroportos e impedir a livre circulação de pessoas e bens, a fim de pressionar o Congresso Nacional a implementar o voto impresso para o próximo pleito e, também, processar o pedido de impeachment de Ministros do Supremo Tribunal Federal. Extrai-se, ainda, que, caso os pedidos não sejam acolhidos no prazo estipulado, haverá uma tentativa de subversão da ordem mediante o uso da força e da violência”, diz um trecho da representação.

O pedido de investigação é uma reação a áudio e vídeo atribuídos ao cantor, que circularam em grupos de WhatsApp e no Twitter no último domingo, 15, em que Reis anuncia a paralisação das atividades dos caminhoneiros como uma estratégia de pressão para o Senado Federal aprovar a PEC do Voto Impresso e a destituição dos onze ministros do STF. Um dia antes o presidente Jair Bolsonaro disse que apresentará um pedido de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

“Nós resolvemos o seguinte: nós vamos manter o dia 7 de setembro calmo. Dia 8 vamos ao Senado… Eles vão receber um documento assim: vocês têm 72 horas para aprovar o voto impresso e para tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido; é uma ordem! É assim que eu vou falar com o presidente do Senado: “isto é uma ordem!”. Se vocês não cumprirem em 72 horas, nós vamos dar mais 72 horas, só que nós vamos parar o País. Já está tudo armado. O País vai parar. Tudo… Não vai trafegar ninguém nas estradas”, diz um áudio atribuído ao cantor. “E, se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra. Pronto. É isso que você quer saber? É assim que vai ser”.

Ouça o áudio:

Após a repercussão das declarações, representantes dos caminhoneiros negaram adesão ao movimento e rechaçaram a participação em qualquer manifestação política. O cantor, por sua vez, baixou o tom e disse, em entrevista à Jovem Pan, que o movimento é uma iniciativa da própria categoria. “Não sou eu que estou fazendo esse movimento. São os próprios caminhoneiros”, afirmou.

Ele também disse que ‘não quer briga com ninguém’ e que o termo ‘retirada’ dos ministros foi ‘errado’. Reis esclareceu que apenas deseja que os pedidos de impeachment dos ministros do STF sejam ‘estudados e analisados’. “Eles não mandam no País, quem manda é o povo”, afirmou. “O povo acordou e nós temos que estar junto o povo”, acrescentou.

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