‘Sua Excelência, em algum momento, perdeu o rumo’, diz desembargador

‘Sua Excelência, em algum momento, perdeu o rumo’, diz desembargador

Victor Laus, último a votar no julgamento histórico do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, em Porto Alegre, afirmou que o caso triplex ‘deslustra a biografia' de Lula

Julia Affonso, Julia Lindner, Renan Truffi e Ricardo Brandt, enviados especiais a Porto Alegre

24 Janeiro 2018 | 19h05

Victor Laus. Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4

O desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), afirmou nesta quarta-feira, 24, durante o julgamento do ex-presidente Lula que o petista ‘em algum momento perdeu o rumo’. Laus e outros dois desembargadores, João Pedro Gebran Neto e Leandro Paulsen, mantiveram a condenação do caso triplex e aumentaram a pena de Lula de 9 anos e seis meses de prisão para 12 anos e 1 mês em regime fechado.

“Em algum momento, alguém perdeu o rumo das coisas e passou a se confundir, passou a não compreender a suas atribuições. Ou seja, eu me refiro ao ex-presidente, naturalmente. Ou seja, sua Excelência, em algum momento, perdeu o rumo. A verdade era essa”, afirmou.

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Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex. Ele teria recebido propinas da empreiteira OAS na forma de obras de ampliação e melhorias do imóvel situado no Guarujá (SP). O petista diz que não existem provas contra ele.

Segundo o desembargador, Lula ‘passou a confundir as suas atribuições de primeiro mandatário deste País, talvez com aquelas que nos passado lhe conferiam a presidência da agremiação partidária’.

“Então, a rigor, isso de alguma forma pode fazer que nós tenhamos uma compreensão acerca do ocorrido, mas de qualquer forma, evidentemente, isso não chancelaria esse tipo de atitude. Evidentemente que de sua Excelência era esperada uma postura absolutamente diferente. Ou seja, ciente dos fatos que aconteciam em seu entorno deveria ter tomado providências, nós sabemos disso. Assim não o fez, assim ficou em silêncio”, declarou.

“Para além disso, como demonstrou a situação da unidade habitacional, auferiu proveito dessa situação. Ou seja, são fatos, como diz o Dr João Pedro Gebran Neto, lamentáveis, fatos que deslustram a biografia de Sua Excelência mas que são fatos concretos. São fatos que ocorreram.”

O ex-presidente havia sido condenado pelo juiz federal Sérgio Moro, em 1.ª instância, em julho do ano passado, a nove anos e seis meses de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença do magistrado foi analisada pelo Tribunal da Lava Jato nesta quarta.

O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator e primeiro a votar, aumentou a condenação do ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado.

O desembargador Leandro Paulsen, revisor e segundo a votar, acompanhou Gebran Neto, e também deu 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado para o petista.

Ao final do seu voto, Paulsen determinou que a pena deve ser imediatamente executada se esgotados todos os recursos ainda cabíveis no âmbito da segunda instância.

O desembargador Victor Laus foi o último a votar. O magistrado também seguiu o relator. Final: 3 a zero contra Lula.

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