STJ nega habeas a deputado Albertassi na Operação Cadeia Velha

STJ nega habeas a deputado Albertassi na Operação Cadeia Velha

Parlamentar do MDB do Rio foi preso em novembro, por suspeita de ligação com esquema de corrupção na administração pública estadual; para ministros, 'há elementos concretos que respaldam a prisão preventiva, com o objetivo de desmantelar a organização criminosa'

Redação

27 Junho 2018 | 11h35

Edson Albertassi à esquerda, de camisa azul. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Os ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça rejeitaram pedido de habeas corpus do deputado estadual Edson Albertassi (MDB-RJ) e mantiveram a prisão preventiva do parlamentar, ocorrida em novembro de 2017 no âmbito da Operação Cadeia Velha – investigação sobre suposto esquema de corrupção na administração pública estadual do Rio.

As informações foram divulgadas no site do STJ – HC 430387
Para os ministros, ‘há elementos concretos que respaldam a prisão preventiva, com o objetivo de desmantelar a organização criminosa e impedir novos crimes’.

O relator do caso, ministro Felix Fischer, afirmou que ‘a complexidade da organização chama a atenção, já que, segundo as investigações, o grupo atuaria desde a década de 1990 em diversos setores da administração estadual fluminense’.

“As decisões do egrégio tribunal de origem, que apreciaram a prisão do paciente (Albertassi), encontram-se devidamente fundamentadas, com descrição concreta de atos que teriam sido por ele efetuados, demonstrando satisfatoriamente os requisitos para a manutenção da segregação cautelar, como o risco à ordem pública e à instrução criminal”, fundamentou o relator.

Fischer afirmou que a probabilidade de persistência na prática de atividades ilícitas consubstancia o requisito da garantia da ordem pública, tendo relevo diante das singularidades da situação concreta.
“Vale destacar, no ponto, a particular gravidade das atitudes perpetradas pelo paciente, bem destacando o decisum, quando evidencia o beneficiamento do setor de ônibus ao longo de três décadas, as quais correspondem exatamente ao que apontaram os colaboradores e testemunhas sobre as vantagens que eram pagas em razão disso”, afirmou.

Duração do processo. A defesa do deputado questionou a duração da prisão preventiva, decretada há oito meses.

Albertassi pediu a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal.

Felix Fischer afirmou que não é possível, para fins de definição de excesso de prazo, realizar a mera soma dos prazos para os atos processuais, ‘quanto mais ao se levar em consideração o fato de terem sido denunciados 19 acusados, com a imputação de diversos crimes e extenso número de testemunhas, aliado à premissa de já se ter iniciado a instrução processual, com o início da oitiva dos testigos arrolados pelo Ministério Público Federal, em 21 de maio de 2018’.

No voto acompanhado pelo colegiado, o ministro disse que ‘a gravidade concreta dos delitos justifica a segregação e a impossibilidade de se aplicarem as outras medidas cautelares do Código de Processo Penal’.

Tema constitucional. Quanto à alegada ausência de autorização da Assembleia Legislativa do Rio para a prisão do parlamentar, o relator destacou que o tema da eventual ofensa à Constituição já está sendo discutido pelo Supremo Tribunal Federal, Corte responsável por analisar a arguição de descumprimento de preceito constitucional.

“Nesse contexto, não cabe a esta casa adentrar no mérito desses fundamentos, sob pena de se incorrer em indevida usurpação de competência”, concluiu o relator.

A reportagem está tentando contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

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