STJ mantém liminar que livra Eletropaulo de ressacir R$ 626 milhões a consumidores

STJ mantém liminar que livra Eletropaulo de ressacir R$ 626 milhões a consumidores

Agência reguladora recorreu ao Supertior Tribunal de Justiça sustentando que a liminar gera grande lesão aos consumidores de São Paulo

Redação

21 de janeiro de 2015 | 15h50

Por Julia Affonso

O Superior Tribunal de Justiça manteve liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região que suspendeu decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica, nesta quarta-feira, 21. A Aneel obrigava a Eletropaulo a ressarcir seus consumidores em R$ 626 milhões. A presidente em exercício do STJ, ministra Laurita Vaz, negou pedido de suspensão de liminar e de sentença apresentado pela Aneel.

A agência reguladora recorreu ao STJ sustentando que a liminar gera grande lesão aos consumidores do estado de São Paulo e viola o exercício de suas funções de regular e fiscalizar a produção, transmissão e comercialização de energia elétrica no País. A Aneel argumentou, ainda, que a decisão afeta a ordem econômica, pois impede o imediato ressarcimento de valores cobrados indevidamente dos consumidores em razão de investimentos que não foram realizados pela concessionária.

Foto: Marcelo Min/Estadão

Foto: Marcelo Min/Estadão

Segundo o órgão, entre 2002 e 2011 a Eletropaulo incluiu entre os valores a serem considerados para cálculo do reajuste de sua tarifa, investimentos na implantação de 246 quilômetros de cabos de alumínio que não existiam. Para a agência, os clientes da distribuidora teriam pagado por investimentos que a Eletropaulo não fez.

Para Laurita Vaz, no caso concreto, o valor médio a ser restituído a cada consumidor é baixíssimo, de modo que aguardar o resultado final da demanda para sua efetivação não implicará em prejuízo à coletividade. No entendimento da ministra, a decisão do TRF foi diligente na defesa de real risco de lesão iminente à concessionaria, caso esta tivesse que devolver vultoso valor de R$ 626 milhões, já que tal quantia poderia, de fato, afetar sua capacidade de investimento.

“Não se pode perder de vista que se trata de uma concessionária de serviço público. Assim, na medida em que esta possa sofrer um dano grave na sua capacidade de produção e investimento, os usuários do serviço prestado também poderão ser atingidos”, disse a ministra.

Na última segunda-feira, 19, um apagão atingiu consumidores de dez Estados e do Distrito Federal, por volta das 14h30. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o apagão foi provocado por ‘restrições na transferência de energia’ das Regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, ‘aliadas à elevação da demanda do horário de pico’.  Os Estados ficaram sem luz por mais de uma hora.

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