STJ decreta preventiva de alvo da Calvário que, alertado pelo pai, tentou enterrar celular na jardineira da janela

STJ decreta preventiva de alvo da Calvário que, alertado pelo pai, tentou enterrar celular na jardineira da janela

Subprocuradora-geral Lindôra Araújo afirmou que 'ousadia' do investigado em tentar ocultar o aparelho na frente dos agentes da Polícia Federal demonstra a necessidade da cautelar

Paulo Roberto Netto

28 de outubro de 2020 | 22h29

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou na noite desta quarta, 28, a prisão preventiva de Sérgio Ricardo Ribeiro Gama Filho, investigado na Operação Calvário por suposto esquema de desvio de recursos da Educação e da Saúde na Paraíba. Gama Filho foi alvo de uma nova fase nesta terça, 27, e, ao saber da diligência em sua residência, tentou enterrar o próprio celular em uma jardineira de janela.

A tentativa de ocultação do aparelho foi flagrada por um agente da Polícia Federal que gravava a diligência.

A ‘ousadia’ de Gama Filho foi o que baseou pedido apresentado pela subprocuradora-geral Lindôra Araújo para justificar a prisão. Segundo ela, o investigado soube da operação pelo pai, Sérgio Ricardo Ribeiro Gama, que também é alvo da Calvário, e teria tentado obstruir a operação mesmo na presença dos agentes da Polícia Federal.

“Se nem mesmo a presença do Estado – na pessoa da autoridade policial em cumprimento de ordem do Superior Tribunal de Justiça – foi capaz de impedir a ocultação de elementos essenciais à investigação, é difícil de imaginar o que será capaz de fazer o investigado longe ‘dos olhos do Estado’, a fim de impedir a apuração dos fatos, donde exsurge a necessidade de sua segregação cautelar”, afirmou Lindôra.

Sérgio Ricardo Ribeiro Gama Filho tentou ocultar celular em uma jardineira, mas agentes localizaram aparelho. Foto: Youtube / Reprodução

A Procuradoria destaca que as investigações da Calvário apontam para um embaraçoso contexto de corrupção, exploração de prestígio, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Arthur Cunha Lima, e seus intermediários, Sérgio Gama e Sérgio Gama Filho.

Gama Filho é acusado por Lindôra de ser um dos protagonistas e elo entre agentes da organização criminosa e que, em liberdade, poderia dificultar o andamento da Calvário ao ‘orientar e aconselhar’ os demais investigados, além de ocultar e destruir provas.

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