Startups no Brasil: o mercado está aquecido

Startups no Brasil: o mercado está aquecido

Julian Tonioli*

27 de agosto de 2020 | 08h00

Julian Tonioli. FOTO: DIVULGAÇÃO

O número de startups aumentou mais de 500 por cento em oito anos, com vários negócios inovadores. Em tempos de pandemia, grandes empresas aceleraram o investimento digital, impactando na busca por este modelo de negócio escalável e repetível. Prova disso foi a aquisição, recente, de startups pela Natura, Nubank, Stone e Magalu, com cifras milionárias. Esse crescimento exponencial exige, porém, um ambiente nas startups mais estruturado para investimentos e focado para a velocidade das mudanças.

As startups que estão sendo adquiridas atendem a três parâmetros que o investidor quer de uma empresa. A primeira delas, supondo que seja a primeira rodada de captação, é se o mercado é grande o suficiente ou se aquele problema que o empreendedor está tentando resolver é um problema grande o suficiente versus o valor que ele imagina cobrar pela solução daquele problema. Para exemplificar, você consegue cobrar de 10 a 15 por cento do valor que gera para o seu usuário. Então se você gera o valor de R$1000,00, não vai conseguir cobrar 800,00. Isso dá a ideia se a empresa é grande o suficiente e se ela tem um posicionamento que viabiliza a relação de troca de valor dela para com o cliente.

A segunda etapa que a empresa investidora dará, é avaliar a qualidade do empreendedor ou seja da startup. É muito difícil avaliar a qualidade técnica do empreendedor porque o investidor tem pouco contato com ele. A não ser que já o conheça por conta de outro tipo de engajamento. Assim, consegue-se avaliar a startup a partir de algumas características como a visão, a ambição e a capacidade que o empreendedor tem de explicar o problema que quer resolver e o contexto histórico que ele quer resolver.

E por último, o investidor também avaliará a possibilidade dessa empresa em ter liquidez
no futuro. Ele olha para companhia pensando: se tudo der certo aqui, como será o retorno do investimento, quem pode comprar essa empresa, qual seria o final da estrada. Como investidor, você só retorna o capital se ela for listada caso fique grande ou se ela for vendida.

Investidores em geral são mais ativos em alguns seguimentos, ficando mais fácil de avaliar o investimento. Por outro lado, é importante que o dono da startup escolha seus investidores com quem está se relacionando. E principalmente, escolher bem, o investidor anjo ou o Smart Money porque é aquele que vai agregar capital e conhecimento. Ter os investidores certos na sua empresa faz muita diferença porque eles vão entender o estágio da companhia e a dinâmica do mercado, além de facilitar contatos e a introdução de novos investimentos para uma nova rodada futura.

Para encontrar investidores existem aceleradoras, associações, entidades e está cada vez mais fácil ter acesso aos fundos. Existem até sites que consolidam essa informação hoje, como o www.dealflowbr.com, uma iniciativa do Guilherme Lima. Assim reforço novamente o papel dos investidores anjo porque aceleram o processo com a experiência e o pitch para que outros investidores se interessem pela startup. O que tem acontecido também é que investidores de sucesso voltam ao ecossistema e fomentam as novas startups.

O processo de M&A (fusão e aquisição) segue várias etapas como diligência, governança adequada, controles legais até o documento detalhado da transação. E nos próximos 12 meses terá ainda, no país, uma aceleração positiva, uma janela favorável, mesmo no cenário da Covid. Por isso, foque nos fundamentos, estabeleça prioridades, cuide do time.

*Julian Tonioli é engenheiro pela USP e sócio da Auddas

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