‘Sou um ex-candidato endividado’, afirma Paulo Ferreira

Ex-tesoureiro do PT diz que é 'amigo pessoal' de alvo da Pixuleco II, mas garante que 'não tem imóveis nem contas'

Redação

17 de agosto de 2015 | 20h10

Por Ricardo Galhardo

Paulo Ferreira. Foto: TSE

Paulo Ferreira. Foto: TSE

O ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, disse que é amigo pessoal do ex-vereador do PT de Americana (SP) Alexandre Romano, o Chambinho, há mais de dez anos, mas negou ser beneficiário de recursos derivados do contrato entre a Consist Software e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP).

Chambinho foi preso na Pixuleco II, quinta-feira, 13, por suspeita de receber R$ 40 milhões em propinas a partir de contrato de empréstimo de consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. À Polícia Federal, ele citou Paulo Ferreira como ‘beneficiário de repasses’.

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“Conheço o Alexandre Romano há mais de dez anos. Ele me procurou na sede do PT em 2006 dizendo que estava se mudando de Americana e que ia abrir um escritório em São Paulo. Isso derivou para uma relação pessoal. Mas nunca fui beneficiário destes contratos. Sou um ex-candidato endividado. Estou sendo cobrado por fornecedores da minha campanha e precisei fazer três empréstimos para pagar despesas”, disse Ferreira, que foi candidato a deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul, mas não se elegeu.

Ferreira confirmou que foi procurado por Chambinho em 2009, quando ainda ocupava a tesouraria do PT, cargo que deixou no final daquele ano. O ex-vereador lhe teria dito que elaborava em parceria com o ex-ministro da Comunicação Luiz Gushiken um projeto relacionado com os empréstimos consignados. Gushiken morreu em setembro de 2013.

“O Alexandre me disse em 2009 que estava fazendo um projeto de proteção para os empréstimos consignados junto com o Gushiken. Em 2010, quando eu já não ocupava mais a tesouraria, ele voltou a me procurar para dizer que uma empresa gostaria de fazer uma doação ao PT. Orientei que ele procurasse a pessoa responsável (na época, João Vaccari Neto)”, afirmou Ferreira.

Embora confirme ter conhecimento da história, ele nega enfaticamente ter participado ou se beneficiado do negócio.
“Não conheço ninguém. Nunca tive reuniões nem agendas com a Consist, ABBC ou SINAPP. Não participei de reuniões nem muito menos operei o resultado desse negócio. Este processo, inclusive, foi depois da minha saída da executiva nacional do PT”, disse.

O ex-tesoureiro petista também confirmou ter feito a ponte entre Chambinho e o escritório de advocacia Portanova, de Porto Alegre. “Conheço o Portanova desde o tempo da escola, é um especialista em direito previdenciário e trabalhista. Eles me disseram que precisavam de clientes e o Alexandre me procurou dizendo que precisava de advogado. Então, fiz a indicação. Isso foi agora, em novembro de 2014”, disse Ferreira.

O ex-tesoureiro petista, que hoje trabalha como assessor parlamentar na liderança do PT na Câmara, disse estar tranquilo quanto a citação a seu nome. “Estou à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público. Ao contrário de outros investigados nesta operação não tenho imóveis nem contas”, afirmou.

Ferreira desafiou Chambinho a provar as afirmações e acusou o ex-vereador de Americana de tentar incrimina-lo para desviar o foco das investigações.

“Ele tem a obrigação de provar. Isso que ele está fazendo é transferência de responsabilidades. Se eu tivesse alguma participação neste esquema estaria com a conta cheia de dinheiro e participação em empresas”, disse Ferreira, em referência ao fato de Chambinho ser sócio de diversas empresas.

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