Solidariedade empresarial: uma via de mão dupla

Solidariedade empresarial: uma via de mão dupla

Paulo Paixão*

19 de agosto de 2021 | 07h30

Paulo Paixão. FOTO: DIVULGAÇÃO

Se já houve no passado um entendimento de que empresas não prospectavam seus negócios em sincronia com a sociedade, hoje a situação é diferente. Com as profundas transformações sociais dos últimos anos voltadas à sustentabilidade e ao bem-estar social, a cultura da solidariedade vem ganhando força no mundo corporativo. Principalmente agora com a pandemia. Cada vez mais o setor privado percebe a importância em garantir uma gestão mais colaborativa e solidária, seja dentro ou fora das empresas. São ações que vão desde a gestão humanizada de pessoas até a realização de projetos sociais voltadas a comunidades em situação de pobreza nas regiões onde atuam. Para além do fortalecimento da reputação empresarial, as ações de solidariedade e gentileza unem funcionários, clientes, parceiros, fornecedores, gerando uma corrente do bem que beneficia o meio ambiente e toda a sociedade.

O espírito de solidariedade vem de todas as partes: ONGs, governos, sociedade civil e esfera privada que buscaram alternativas para ajudar por meio de suas vocações e competências. No Brasil, casos de cuidados e apoio ao próximo se multiplicaram. Individualmente, vimos pequenos gestos de empatia que se reproduziram em meio à pandemia. Vizinhos que se ofereceram para fazer compras para quem não pode fazê-las, amigos que acolheram quem não podia mais pagar o aluguel, até músicos que se apresentaram ao vivo em prédios e condomínios para levar um pouco de leveza e esperança.

E no mundo corporativo não foi diferente. Centenas de empresas reestruturaram suas organizações para criar medidas que pudessem ajudar a conter a disseminação do vírus ou iniciativas para ajudar as comunidades mais afetadas. Supermercados, farmácias, escolas, empresas… cada instituição ajudando como pode. Houve arrecadação de dinheiro, doação de materiais de higiene pessoal e entrega de kits com máscaras, luvas e álcool em gel.

Muitas empresas também se uniram para arrecadar e distribuir alimentos. Centenas de instituições na jornada pela coletividade. Uma indústria do Rio de Janeiro que é associada ao sistema Firjan Sesi conseguiu realizar duas iniciativas importantes. A ideia é aumentar o número de pessoas do quadro imunizadas e, ao mesmo tempo, ajudar na campanha Sesi Firjan contra a fome no estado.

Assim, para cada cartão de vacinação apresentado por um funcionário no posto médico da empresa, será realizada a doação de cinco quilos de alimentos para famílias em situação de pobreza no RJ. Isto é, o funcionário desta empresa que se vacinar, além de se proteger contra o vírus, também realizará um gesto de solidariedade. Os alimentos serão 100% custeados pela companhia. Ao todo, 240 funcionários estão aptos para a vacinação, dos quais 100 já foram imunizados com a primeira dose da vacina. Os 500 quilos de alimentos arrecadados serão encaminhados para distribuição para instituições filantrópicas na região de Santa Cruz.

Em três meses, a campanha SESI Cidadania Contra a Fome agora já arrecadou mais de R$ 520 mil, atendendo aproximadamente 30,1 mil pessoas das comunidades locais. A todo momento surgem novas iniciativas. A pandemia despertou na sociedade um sentimento de comunidade, de solidariedade global. Mas a lição que fica disso tudo é o cuidado mútuo gerado pela cidadania empresarial, iniciativas que beneficiam não apenas aqueles que mais precisam agora, mas também todos os que se envolvem para ajudar.

Esse espírito solidário de mobilização do setor privado pelas comunidades em que estão inseridas é uma via de mão dupla. São ações gratificantes para quem as realiza e benéfica para quem recebe. O ativismo social transforma, gera conectividade, engajamento e, o mais importante, sentimento de pertencimento entre os funcionários. Os processos humanizados de gestão também colaboram para criar uma cultura de união entre as equipes, ideal para o alcance de diversos objetivos comuns, sejam sociais ou empresariais. Todos progridem e evoluem realizando gestos de solidariedade corporativa, o setor privado, os trabalhadores e a toda a sociedade.

*Paulo Paixão, diretor de Pessoas e Administração da Ceptis

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.