Caso a caso, cada contrato tinha sua história, diz executivo da Odebrecht sobre propina

Caso a caso, cada contrato tinha sua história, diz executivo da Odebrecht sobre propina

Delator da Lava Jato, Márcio Faria narrou perante o juiz Sérgio Moro como o Departamento de Propinas da empreiteira fazia pagamento de vantagens indevidas: 'providenciava o pagamento seja em efetivo no Brasil ou no exterior em contas informadas'

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Luiz Vassallo e Valmar Hupsel FIlho

13 Março 2017 | 16h14

Márcio Faria foi preso em 19 de junho. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Márcio Faria foi preso em 19 de junho. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O executivo Márcio Faria, um dos delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato, afirmou em audiência nesta segunda-feira, 13, perante o juiz federal Sérgio Moro que o pagamento de propina era decidido ‘caso a caso’. Márcio Faria prestou depoimento como testemunha de defesa do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Segundo o delator, a solicitação de propina em contratos entre a empreiteira e a Petrobrás surgia ‘basicamente, na fase de licitação ou após a assinatura de contrato’.

“Era solicitada caso a caso. Cada contrato tinha sua história”, declarou.

Os depoimentos de Emílio Odebrecht e do ex-executivo do grupo Márcio Faria, que fizeram delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), foram colocados sob sigilo, por Moro, a pedido da defesa. O Estadão teve acesso aos vídeos.

Márcio Faria afirmou que na diretoria de Serviços da Petrobrás ‘quem cuidava disso era seu Pedro Barusco’, ex-gerente da estatal. O delator disse que, ‘normalmente’, Barusco levava ‘o assunto’ a outro empreiteiro da Odebrecht Rogério Araújo.

“Isso era repassado para o pessoal de Operações Estruturadas (o ‘Departamento de Propina’ da empreiteira) que providenciava o pagamento seja em efetivo no Brasil ou no exterior em contas informadas”, narrou.

Faria declarou quem o Setor de Operações Estruturadas era ‘liderado pelo sr Hilberto Silva que tinha seus assessores Fernando Migliaccio e Luiz Soares’.

O Ministério Público Federal quis saber do delator como eram direcionados os pagamentos.

“Eu não tinha a relação direta com o pessoal Operações Estruturadas. Normalmente eu pedia a César Rocha, que trabalhava comigo, para providenciar”, contou.

“A partir do momento em que eu informava, que eu dava o ‘de acordo’, eu saía do processo.”

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