Sócios da Etesco Construções ‘ficaram milionários com negócios na Petrobrás’, diz delator

Sócios da Etesco Construções ‘ficaram milionários com negócios na Petrobrás’, diz delator

Fernando Moura, ligado ao PT e a José Dirceu, relatou que executivos da empreiteira o apresentaram a Renato Duque, elo do partido na Diretoria de Serviços da estatal

Redação

23 de setembro de 2015 | 17h01

Ficha de qualificação de ex-diretor de Serviços Renato Duque feita pela PF - Foto: Reprodução

Ficha de qualificação de ex-diretor de Serviços Renato Duque feita pela PF – Foto: Reprodução

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O empresário Fernando Moura, lobista ligado ao PT e ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), afirmou que os sócios da empresa Etesco Construções ‘ficaram milionários com negócios na Diretoria de Serviços’ da Petrobrás. A unidade é estratégica na estatal e se transformou em um dos maiores focos de corrupção e propinas desmantelado pela Lava Jato.

Moura foi preso no dia 3 de agosto na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato que pegou o Dirceu. Para obter benefícios judiciais, o empresário fez delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal.

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Entre 2004 e 2012, a Diretoria de Serviços foi comandada pelo engenheiro Renato Duque – apontado como braço do PT na estatal. Segundo Fernando Moura, os donos da Etesco o apresentaram a Duque e ele, posteriormente, o indicou para o cargo. Por isso, disse o lobista em delação, recebeu uma ‘recompensa’ de US$ 10 mil mensais.

“Tem conhecimento que esse arranjo entre a Etesco e Renato Duque permitiu que a Etesco fechasse diversos contratos milionários com a Petrobrás”, afirmou Fernando Moura. “A Etesco, que era uma empresa de pequeno/médio porte do Butantã, sediada perto do Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores, passou repentinamente a figurar como “player” entre as gigantes da construção civil.

Duque está preso desde 16 de março deste ano, quando foi deflagrada a Operação ‘Que País é Esse?’, 10º desdobramento da Lava Jato. O ex-diretor da Petrobrás foi condenado em uma das ações a que responde na Justiça Federal, no Paraná, a 20 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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A Petrobrás consta da lista de clientes no site da Etesco. A empresa participou em grandes projetos no Brasil como a construção do Gasoduto Bolívia – Brasil (GASBOL), a privatização de rodovias pedagiadas e o afretamento de uma unidade offshore de armazenamento de petróleo com capacidade de estocagem de 2.2 milhões de barris, talvez a maior unidade deste tipo no mundo.

“Além dos negócios que a Etesco efetivamente realizou com a Petrobrás, foram diversos os casos nos quais a empresa “ganhava” o contrato e, em seguida, negociava com outra empresa de grande porte a cessão do contrato; que para tanto Renato Duque quanto Licínio e seus irmãos Ricardo e Sérgio ficaram milionários com os negócios na Diretoria de Serviços da Petrobrás; que os contratos abrangiam serviços prestados diretamente pela Etesco e contratos que a Etesco “ganhava” de Duque e repassava para terceiros”, relatou o delator.

Fernando Moura afirmou ainda que a Etesco ‘chegou a fazer uma parceria com a OAS e a Toyo para a operação de navios-sonda de perfuração em um negócio que também envolveu a Sete Brasil’. Nesta segunda-feira, 21, o juiz federal Sérgio Moro homologou a delação do empresário.

A Etesco não respondeu ao contato da reportagem até o fechamento desta matéria.

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