Sobrinho de Lula dissimulou valores ilícitos, diz Polícia Federal

Sobrinho de Lula dissimulou valores ilícitos, diz Polícia Federal

Empresário seria laranja de Lula, investigado por tráfico de influência para a Odebrecht conseguir financiamentos junto ao BNDES

Adriano Ceolin, Andreza Matais, de Brasília e Fausto Macedo

20 de maio de 2016 | 17h42

Taiguara Rodrigues dos Santos. Foto: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

Taiguara Rodrigues dos Santos. Foto: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

Levado de forma coercitiva para prestar depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira, Taiguara Rodrigues dos Santos, o sobrinho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria recebido “valores de origem ilícita” ao “dissimular” prestação de serviços para obras da construtora Odebrecht fora do Brasil. A conclusão consta na peça que embasou a decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que determinou também a busca e apreensão em endereços relacionados a Taiguara. Ele seria laranja de Lula, que é investigado por praticar tráfico de influência para a Odebrecht conseguir financiamentos junto ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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“Os elementos trazidos pela autoridade policial revelam que foram executados aparentes negócios jurídicos no exterior por empresas ligadas a Taiguara Rodrigues dos Santos, pessoa próxima e do convívio familiar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contratadas por empresas do grupo Odebrecht para prestação de diversos serviços técnicos especializados – como sondagens, perfurações, serviços de topografia, elaboração de projetos e consultoria – sem experiência anterior e sem a demonstração inequívoca de capacidade técnica, o que indica a ocorrência de irregularidades e dissimulação de valores de origem ilícita”, afirma o juiz em seu despacho.

Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, irmão de Maria de Lourdes da Silva, primeira mulher do ex-presidente Lula. Taiguara já foi investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES, realizada entre o fim do ano passado e o começo de 2016. Em depoimento à comissão, ele afirmou que “às vezes” tinha contato com Lula. Nesta sexta-feira, ele foi ouvido pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Apesar de ter residência fixa em Santos, ele foi detido na capital fluminense enquanto se hospedava num hotel no bairro de Copacabana. Ele é dono da empresa Exergia Brasil, que foi subcontratada pela Odebrecht.

Os advogados de Lula se manifestaram por meio de nota e criticou o fato de a Polícia Federal e o Ministério Público terem citado o nome na investigação, que, na visão deles, é irregular. “É reprovável que o Ministério Público Federal do Distrito Federal e a Polícia Federal tenham utilizado o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para divulgar, nesta data (20 de maio), medidas de investigação autorizadas pela Justiça”, diz a nota. “Tais medidas não envolvem Lula e seu nome foi indevidamente mencionado. Prova disso é que o MPF e a PF afirmam, na mesma nota que faz referência ao nome do ex-Presidente, que “a investigação é sigilosa” e os nomes efetivamente envolvidos “não serão divulgados” — não havendo, diante disso, qualquer explicação para a menção ao nome de Lula”, afirmam os advogados.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FÁBIO SOUZA, QUE REPRESENTA AS EMPRESAS DE TAIGUARA:

Responsável pelas ações judiciais envolvendo as empresas de Taiguara, o advogado Fabio Souza afirmou nesta sexta que as buscas da Polícia Federal na sede da Exergia foi legítima e autorizada pela Justiça Federal. Ele não acompanhou o depoimento do empresário à PF hoje, mas reiterou os argumentos apresentados por Taiguara à CPI do BNDES na qual ele negou que sua empresa foi utilizada para a lavagem de dinheiro.

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