Sobrinho de Delfim Netto diz à PF que ‘não se recorda’ de R$ 240 mil da Odebrecht

Sobrinho de Delfim Netto diz à PF que ‘não se recorda’ de R$ 240 mil da Odebrecht

Investigadores chegaram a Luiz Appolonio Neto, alvo da Lava Jato, a partir de uma planilha em que seu nome aparece ligado ao codinome 'professor'

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

04 Junho 2016 | 06h00

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Planilha apreendida pela PF. Clique para ampliar

O advogado Luiz Appolonio Neto afirmou à Polícia Federal ‘que não se recorda’ de ter recebido R$ 240 mil da empreiteira Odebrecht em 22 de outubro de 2014. A Operação Lava Jato chegou ao advogado – sobrinho do ex-ministro Delfim Netto (1967/1974) -, após encontrar seu nome em um planilha secreta de propina. O documento foi apreendido na casa da secretária de altos executivos da Odebrecht, Maria Lúcia Guimarães Tavares, suspeita de ser responsável por parte da distribuição da “rede de acarajés” – que seria referência a propina.

Luiz Appolonio Neto prestou depoimento à PF em 22 de março, quando foi conduzido coercitivamente na Operação Xepa, 26ª fase da Lava Jato. Na planilha, o nome do advogado estava ligado ao codinome ‘professor’ e à informação ‘entrega no endereço Alameda Lorena, em São Paulo, a ser liquidado nas datas de 22 de outubro de 2014 no valor de R$ 240 mil’.

“Perguntado se é conhecido como ‘professor’ (Appolonio) respondeu que não, que perguntado quem é a pessoa de apelido de ‘professor’, e de quem se trata, respondeu que não se recorda de quem tenha o apelido de ‘professor’, porém trabalha com o professor Delfim Netto”, aponta o depoimento de Luiz Appolonio Neto.
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Delfim Netto foi ministro da Fazenda e criador do ‘milagre econômico’ da ditadura militar. O nome do economista e também ex-deputado federal foi citado na delação premiada da empreiteira Andrade Gutierrez pelo suposto recebimento de valores ainda não explicados no empreendimento da Usina de Belo Monte. Quando seu nome foi citado na Lava Jato, Delfim argumentou que havia feito uma ‘assessoria’.

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O advogado declarou à PF. “Perguntado se na empresa trabalha mais alguém de nome ou sobrenome ‘Apolônio’, respondeu que não; que perguntado por que razão o declarante recebeu R$ 240 mil no endereço referido supra, no dia 22 de outubro de 2014, respondeu que disse que não se recorda.”

Em depoimento, Luiz Appolonio Neto afirmou que compõe o quadro societário da empresa CV Centro Empresarial Vira Copos, ‘cuja única finalidade foi de construir o prédio de escritórios localizado na cidade de Campinas/SP, dentro do Aeroporto de Vira-Copos’. Ele disse ainda nunca ter prestado serviços para a Odebrecht.

“Não sabendo esclarecer ou explicar porque o seu nome ou o endereço de sua empresa estão ligados à quantia de R$ 240 mil, como disse antes não conhece nenhuma pessoa com o nome professor a não ser o economista Delfim Netto, não sabendo dizer o que significaria a senha Perfume”, declarou.

A PF questionou o advogado também sobre uma extensa relação de 25 funcionários da Odebrecht – entre eles, alguns que fariam parte do ‘Setor de Operações Estruturadas’, área secreta do Grupo que teria sido montada para pagamentos ilícitos. Appolonio declarou que ‘nunca conheceu nenhuma dessas pessoas’.

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