‘Sobre a vida do ex-assessor do Flávio não tenho informação’, diz Eduardo Bolsonaro

‘Sobre a vida do ex-assessor do Flávio não tenho informação’, diz Eduardo Bolsonaro

Deputado eleito por São Paulo afirma que 'não é a pessoa certa para comentar a investigação envolvendo o ex-policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, que assessorou seu irmão na Assembleia Legislativa do Rio e em cujas contas o Coaf apontou movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão

Julia Lindner e Vera Rosa

12 de dezembro de 2018 | 17h52

Eduardo Bolsonaro. Foto: Felipe Rau/Estadão

Um dos filhos do presidente eleito, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que não é a pessoa certa para comentar a investigação envolvendo um ex-assessor do seu irmão, o deputado estadual Flávio Bolsonaro, e que não possui novas informações sobre o caso revelado pelo Estado. Ao ser questionado sobre as movimentações financeiras atípicas, Eduardo encerrou a coletiva de imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede da equipe de transição.

“Gente, olha, eu estou em Brasília aqui direto. Eu sou um deputado federal. Sobre essas questões aí, lamento informar, mas a vida do assessor do Flávio, ou de algumas pessoas lá, outros assessores, eu não tenho como dar informação a vocês. Eu sou a pessoa errada para esse tipo de pergunta. Boa tarde para vocês. Até mais”, declarou. Eduardo esteve no CCBB para reunião da bancada do PSL com o presidente eleito Jair Bolsonaro, na tarde desta quarta-feira, 12.

Após a repercussão do caso, Eduardo disse, no último final de semana, que “o que ocorreu ali ninguém sabe”. Hoje, ao ser questionado se agora possui as informações ou se houve algum tipo de esclarecimento, ele disse que não. Também negou manter contato com Fabrício José Carlos de Queiroz, exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro em 15 de outubro, dois dias antes do Ministério Público solicitar à Justiça autorização para a Operação Furna da Onça.

Mais da metade dos depósitos em espécie recebidos por Fabrício, ex-motorista do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, aconteceram no dia do pagamento dos funcionários da Assembleia Legislativa do Rio ou até três dias úteis depois. Uma análise do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentações atípicas em contas de assessores e ex-servidores do legislativo, mostra que 34 das 59 operação financeiras seguiram a mesmo padrão. O restante ocorreu em até uma semana.

O Estado identificou que 15 depósitos em espécie na conta de Queiroz ocorreram nos mesmos dias de pagamento dos servidores da Alerj em 2016. Essas datas variaram a cada mês, por causa da crise do Rio, que levou a atraso nos salários, mas foram mapeadas através do cruzamento do relatório do Coaf com o cronograma de pagamentos da assembleia fluminense. Outros 19 depósitos na conta de Queiroz ocorreram em até três dias úteis após os funcionários receberem seus vencimentos.

Os valores depositados mensalmente também se repetem ou são aproximados. Investigadores analisam se há padrão nas ações, em valores ou periodicidade. O jornal Folha de S. Paulo mostrou nesta terça-feira que logo após receber os valores, Queiroz realizou saques em espécie em quantias aproximadas às que haviam entrado em sua conta.

O ex-motorista deve depor na semana que vem no Ministério Público do Rio, que investiga o caso. O Estado apurou que as transações entre funcionários do Legislativo estão entre os motivos que levaram os bancos a classificar as movimentações como atípicas e a advertir o Coaf a seu respeito. O relatório indicou que pelo menos nove funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio fizeram operações (depósitos ou recebimentos) na conta do ex-motorista e ex-segurança do deputado. Entre elas, estão as filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn Melo de Queiroz, e a sua mulher, Marcia Oliveira de Aguiar.

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