Sobre a tragédia de Capitólio

Sobre a tragédia de Capitólio

Com a geologia as pessoas podem se divertir, mas sem perder o respeito

Álvaro Rodrigues dos Santos*

09 de janeiro de 2022 | 06h00

FOTO: REPRODUÇÃO TWITTER

Os desmoronamentos e tombamentos de rochas, em pequenos ou grandes blocos, são comuns nos cânions de todo o mundo. É o processo natural de evolução desses paredões rochosos. Só por esse fato já teria sido indicado a delimitação de uma faixa de risco que impedisse a aproximação de pessoas das bases desses paredões.

Mas no caso de Capitólio há fatos agravantes:

1 – a rocha tem acamamentos e fraturamentos naturais que facilitam esses desmoronamentos;

2 – com a formação do lago de Furnas a parte baixa dos paredões rochosos que fica em contato com a água passou a sofrer os efeitos da saturação pela água e do constante embate de ondas, fatores que potencializam a possibilidade de desmoronamentos.

Álvaro Rodrigues dos Santos. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Os dois fatores sugerem que a gestão das atividades de turismo da região deveria já de há muito ter adotado preventivamente a delimitação de uma faixa de risco, definida a partir do pé do paredão em contato com a água, além da qual os barcos e eventuais nadadores não deveriam ultrapassar. E também definir os canais estreitos dos cânions que não pudessem ser navegados, dado o fato de que nesses canais as embarcações ficam muito próximas dos paredões.

Que a dura e trágica lição obrigue agora essa providência.

*Álvaro Rodrigues dos Santos, geólogo. Ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Autor dos livros Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e PráticaA Grande Barreira da Serra do MarDiálogos GeológicosCubatãoEnchentes e Deslizamentos: Causas e SoluçõesManual Básico para elaboração e uso da Carta GeotécnicaCidades e Geologia. Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoCapitólio [MG]

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.