Sem participação feminina, evento para discutir ‘Mulheres no Poder’ tem Bolsonaro e Paulo Guedes na programação

Sem participação feminina, evento para discutir ‘Mulheres no Poder’ tem Bolsonaro e Paulo Guedes na programação

O evento foi divulgado na página do Grupo Voto; Com a repercussão do post, a organização fez uma nova publicação reiterando ser uma empresa 'fundada e liderada por mulheres'

Jayanne Rodrigues

08 de março de 2022 | 12h53

Nesta terça-feira, 8, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, uma publicação do ‘Grupo Voto’ – organização que se intitula como “principal hub de interlocução entre o alto empresariado e os escalões da política brasileira” -,  virou alvo de polêmica. Isso porque, a entidade divulgou nas redes sociais a programação da semana especial para “fomentar a participação feminina na política”. Mas, ironicamente, são apenas convidados homens. 

Entre eles, o presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, o ministro da Economia Paulo Guedes, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas e o vice-governador do Estado de São Paulo Rodrigo Garcia

Card da publicação feita na página do Grupo Voto. Foto: Reprodução/ Instagram

A falta de representação feminina em um evento que leva o nome ‘Ciclo Brasil de Ideias Mulher’, chamou a atenção dos internautas. Em poucas horas, a publicação alcançou quase 2 mil comentários. A maioria classificou a decisão da organização como: “piada pronta” e uma espécie de “meme”. Homens e mulheres criticaram a incoerência. “Cambada de fanfarrões”, disse um deles. 

Com a repercussão do post, o vice-governador Rodrigo Garcia compartilhou um comunicado nos stories do Instagram. Ele explicou que foi convidado para dar uma palestra sobre a participação feminina na política e as ações desenvolvidas pelo governo de São Paulo. Em seguida, justificou que não concorda com o ponto de vista – em relação ao assunto – das autoridades políticas que também irão participar do evento. “Faz acreditar que eu farei uma palestra ao lado de pessoas que pensam diferente de mim quando o assunto é defesa da mulher”

Sobre a ausência de mulheres na programação, o gestor argumentou que vai levar “as Secretárias de Estado do Governo de São Paulo”. 

Pronunciamento do vice-governador de São Paulo após a repercussão do evento. Foto: Reprodução/ Instagram

RETROSPECTIVA

A proximidade dos convidados com o assunto abordado no evento também foi questionada pelos internautas. Desde as últimas eleições presidenciais, Bolsonaro protagonizou falas machistas e sexistas. Em 2021, a Justiça Federal em São Paulo determinou que o governo federal pagasse R$ 5 milhões pelos danos morais após declarações do presidente e seus ministros, com ofensas contra mulheres. 

O presidente chegou a declarar que cada mulher no governo “equivale por dez homens”. Em outra situação, banalizou o turismo sexual no País: “o Brasil não pode ser o país do turismo gay”, mas se alguém “quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. 

Na manhã desta terça-feira, Bolsonaro parabenizou as mulheres pela data comemorativa por meio da conta oficial no Twitter. Se referindo a solenidade realizada hoje no Palácio do Planalto, o chefe do País escreveu que o ato representa “muito mais que bonitos gestos, com proposições que visam melhorar a qualidade de vida de todos”. 

Durante a solenidade, ele defendeu a preservação dos valores familiares e a participação das mulheres “para o futuro de uma grande nação”. Em seu discurso,  afirmou que o atual governo tem recorde de participação feminina se comparado às gestões anteriores. Porém, a realidade do Brasil não se encaixa com a fala do presidente. O governo de Jair Bolsonaro tem apenas duas ministras dentro de um total de 22 pastas. Este é um dos piores índices de participação feminina no Executivo entre todos os países do mundo, revela a ONU. 

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