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'Síndrome de Pavão': títulos maravilhosos para pessoas que produzem pouco

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Por Maucir Nascimento
Atualização:
Maucir Nascimento. FOTO: DIVULGAÇÃO Foto: Estadão

"Quem conta um conto, aumenta um ponto". Como diz o ditado, contar uma vantagem ou dizer que fez além do que realmente fez é um hábito mais utilizado do que se imagina no mercado profissional.

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Quando se fala em tentar melhorar a própria imagem, uma prática muito comum é valorizar o currículo, aumentando as reais capacidades, a fim de impressionar o recrutador.

Aliás, com relação a este exemplo, uma pesquisa da DNA Outplacement detalha que 75% dos currículos enviados no Brasil contém alguma informação falsa. De acordo com o levantamento, as práticas mais comuns são: aumentar o salário anterior ou atual (48%) e mentir sobre o domínio de inglês (41%).  Além disso, quantos CEOs bilíngues de empresas com uma pessoa só você já viu? Quantas pessoas você já viu por aí se chamando de "Chief" (diretor em português) em empresas que nem têm pessoas para serem lideradas?

Agora, o que poucos sabem é que essas e outras atitudes que envolvem mentiras em prol de obter alguma vantagem podem ser enquadradas na denominada Síndrome do Pavão. O pavão é uma ave majestosa que abre uma colorida e belíssima cauda quando quer cortejar a fêmea e chamar sua atenção. Por isso, quando uma pessoa usa artifícios e até mentiras com o objetivo de se exibir e contar vantagem é apelidada de pavão.

Colocando a própria credibilidade em cheque

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Um exemplo é o Linkedin, a rede social pode servir de canal para quem tem necessidade de impressionar a qualquer custo. Dada tamanha importância na utilização dessa ferramenta, passar credibilidade e confiança através do perfil e dos contatos realizados pelo LinkedIn pode ser determinante para os objetivos profissionais. Porém, é necessário tomar cuidado e não adicionar informações falsas na descrição, que de início encanta quem visita o perfil, mas a longo prazo, se a expectativa não for atingida, gera uma decepção.

Infelizmente, nós vivemos em um mundo onde todo mundo tem os títulos mais lindos no LinkedIn e a maioria das pessoas não produz aquilo que apresenta. Então a pergunta é: o que você está realmente produzindo? Será que essa incoerência entre vida real e redes sociais está afetando as relações profissionais? É um ponto a se observar.

Muita aparência e pouca de produtividade

As pessoas estão mais preocupadas com a imagem transmitida do que desenvolver suas reais competências. Os mentirosos sempre deixam rastros e acabam se complicando com as respostas e explicações, como mostra a pesquisa da professora Lyn M. Van Swol, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Segundo ela, a pessoa fica mais prolixa quando mente, ou seja, fala além do necessário, assim como o Pinóquio, a mentira cresce a cada palavra.

Mentiras e falsas impressões acabam refletindo diretamente na questão da produtividade no mercado de trabalho. Sabe quanto cresceu a produtividade do trabalhador brasileiro entre 1995 e 2018? 1%, de acordo com o estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Essa estimativa é baixa para um período de 23 anos e acende o sinal de alerta.

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Agora, o que fazer para atingir novos índices satisfatórios de produtividade? A fim de atingir esse objetivo, as palavras de ordem são: dedicação e força de vontade.

Pare e pense. Você está fazendo muitos trabalhos para se manter ocupado ou obter resultados? As mensagens instantâneas, dezenas de e-mails e encontros, rendem resultados ou estão sendo inúteis?

Tenha metas concretas. Conseguirá concluir o trabalho hoje? Seja realista. Trace objetivos para daqui a uma semana, um mês e um ano.

Recalibre sua produtividade, não passe mais tempo aparentando nas redes sociais do que realizando uma tarefa.

Não minta no currículo e na vida profissional. Busque conhecimento, isso vai trazer os louros que tantos buscam nas mídias sociais. O que não faltam são livros, podcasts, lives, assim como cursos gratuitos na internet e conteúdos que podem tornar reais as competências desejadas.

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Mentiras no setor de vendas: um risco que envolve a lei e a reputação do estabelecimento

A maioria das pessoas, com certeza, já passou pela experiência de entrar em uma loja procurando um produto e o vendedor começar a valorizá-lo de uma maneira exagerada para garantir uma venda e até destacar vantagens que, ao comprar, o cliente percebe que não existem. A chamada lábia dos vendedores, que é muito conhecida e chega a ser motivo de brincadeiras, em alguns casos. O famoso "papo de vendedor".

Fazer uso da popular mentirinha para obter vantagens ou elevar suas chances de obter sucesso em algo que almeja é uma atitude deturpada por si só, no entanto, no caso específico de vendas, há um agravante ainda maior: enganar o consumidor ou omitir informações relevantes sobre o produto é crime, conforme explicitado o Art. 66 do Código de Defesa do Consumidor.

De acordo com uma pesquisa do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), de março de 2021, 61% dos consumidores brasileiros se sentem enganados nas relações de consumo. Esse é um dado que evidencia que, cada vez mais as pessoas estão insatisfeitas com propaganda enganosa e tendem a não confiar mais em empresas e lojas que usam de mentiras para conseguir concluir uma venda. Isso faz com que a relação pós-venda e a fidelidade dos clientes seja abalada e/ou diminua.

Por fim, deixo como reflexão a seguinte frase do investidor americano Warren Buffett: "leva 20 anos para construir uma reputação e cinco minutos para arruiná-la. Se você pensar sobre isso, você fará as coisas de forma diferente". Não sejamos pavão, nem Pinóquio. Seja apenas você mesmo(a). Se você mesmo(a) não for suficiente, modifique quem você é, ao invés de tentar mostrar para o mundo que você é alguém diferente de quem é. Lembre-se: a nossa reputação é nosso tesouro nos negócios.

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*Maucir Nascimento, especialista em Growth, Marketing e Vendas; empreendedor serial no Brasil e na Austrália; cofundador da Speedio, autor do livro A Volta dos que Foram

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