Sindicato de Trabalhadores da USP pressiona reitor por liberação de servidores após avanço do coronavírus

Sindicato de Trabalhadores da USP pressiona reitor por liberação de servidores após avanço do coronavírus

Entidade diz que paralisação de profissionais já foi aprovada e informada à instituição, que diz não ter informações sobre áreas afetadas

Paulo Roberto Netto

18 de março de 2020 | 13h30

O Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp) informou nesta quarta-feira, 18, que aprovou paralisação de servidores no campus da instituição, na zona oeste de São Paulo. A medida, segundo a entidade, é para pressionar o reitor Vahan Agopyan a suspender as atividades presenciais que foram mantidas após determinação da universidade nessa terça-feira, 17.

Procurada, a USP informou no início da tarde desta quarta que não tem informações sobre setores paralisados na instituição, mas que monitora o caso.

A USP suspendeu todas as aulas presenciais da graduação e pós-graduação da instituição quase uma semana depois de um aluno do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) testar positivo para coronavírus. A medida foi anunciada pela reitoria afirmando que a universidade ‘não vai parar’.

Campus da Universidade de São Paulo, na capital paulista. Foto: Nilton Fukuda / Estadão

Em relação aos servidores e terceirizados, a Coordenadoria de Administração Geral (Conage) concedeu ponto facultativo a docentes, funcionários técnicos e administrativos com mais de 60 anos e servidores com doenças crônicas, além de gestantes, pais de crianças com até dez anos de idade e funcionários com sintomas de gripe. Nestas situações, a USP permitiu o trabalho remoto (‘home office).

A Conage também afirmou que as atividades administrativas poderão funcionar em regime de contingenciamento ou rodízio, sem prejuízo ao salário e benefícios.

As medidas, contudo, só entram em vigor a partir da próxima segunda-feira, 23.

De acordo com o diretor do Sintusp, Reinaldo Souza, as propostas não englobam todo o corpo de servidores e terceirizados, que continuarão a se deslocar até os campi da USP sob risco de contágio. “Com a suspensão das aulas, fechamento das bibliotecas, suspensão de eventos, de concursos e afins, na prática, tem pouca coisa para os funcionários fazerem”, afirma. “A obrigação dos funcionários virem ao trabalho é quase um castigo, pautado em critérios burocráticos e elitistas”.

O sindicato diz que ter enviado ofício à reitoria solicitando reunião para discutir medidas para mitigar riscos aos funcionários da instituição. Segundo o Sintusp, casos emergenciais como o Hospital Universitário devem ser mantidos, ‘inclusive com contratações emergenciais para atender a demanda’. Outros setores seriam laboratórios que pesquisam sobre o coronavírus e os funcionários da vigilância e segurança, ‘com novas escalas e atenção aos servidores de grupos de risco’.

“É avaliar quais setores seriam realmente essenciais, e liberar o restante”, afirma Souza.

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