Sinal verde para aprender

Sinal verde para aprender

Pedro Flexa Ribeiro*

20 de outubro de 2020 | 12h55

Pedro Flexa Ribeiro. FOTO: DIVULGAÇÃO

O grau de civilidade de uma nação ou grupo social pode ser estabelecido em função do cuidado e da importância atribuída à formação de suas novas gerações. Nunca na História havia-se registrado circunstância semelhante a que nos impõe a pandemia ocasionada pela covid-19. No caso das escolas, até que a vacina chegue, os protocolos sanitários são indispensáveis. É do interesse de todos a promoção de uma sociedade justa, que promova equidade e iguais oportunidades.

Todos os esforços devem ser feitos para que as atuais circunstâncias de suspensão das aulas não acentuem ainda mais a situação, já dramática. Em países que, como o Brasil, já padecem de profundas desigualdades sociais, convém que tenhamos a equidade como foco. O direito inalienável à Educação de qualidade deve implicar, obrigatoriamente, o acesso a todos os recursos tecnológicos indispensáveis para o preparo de todo e qualquer estudante.

Diante do quadro de emergência que enfrentamos, merece reconhecimento a Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE), que regulamenta a Medida Provisória (MP) – permitindo aula remota até fim de 2021 no ensino básico e no superior, agora convertida na Lei nº 14.040. A abordagem de reorganização das atividades escolares para o próximo ano letivo é sábia e pertinente, além de ser condizente com a realidade atual. Ao admitir a flexibilização dos dias letivos em 2020 e autorizar as atividades remotas em 2021, o CNE não impede a possibilidade onde já é existente.

Fato é que, diante de tantas restrições impostas à sociedade, a medida permite atender as diferentes dificuldades enfrentadas no sistema educacional do país.  O que deve prevalecer é o direito individual de cada aluno e família, sendo respeitado o acesso à escolaridade e ao processo de aprendizagem. Trata-se de um dever da escola e de um direito incondicional de cada aluno e de sua família, o qual não deveria ser negado, sob pretexto algum.

Neste momento, convém que escolas, gestores e professores possam inovar, criar e experimentar, de forma que os alunos possam seguir aprendendo. Em um processo acelerado de globalização, o desafio que temos é a experiência acumulada pela escola brasileira frente às de outros países. Ainda que imprevista e indesejada, se bem gerenciada, a adversidade que enfrentamos pode vir a trazer intensa aprendizagem institucional, preciosa não apenas para professores e estabelecimentos, como também para o sistema de ensino brasileiro.

Não há dúvidas que o sucesso será compartilhado e repercutido positivamente, trazendo crescimento para outras escolas, de todas as redes e sistemas de ensino. Na medida em que isso ocorra, as instituições poderão experimentar um salto de qualidade que tende a ser difundido em todo o sistema educacional.

*Pedro Flexa Ribeiro é diretor administrativo da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep)

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