Simples. Assim que deve ser o futuro dos pagamentos

Simples. Assim que deve ser o futuro dos pagamentos

Luiz Antonio Sacco*

06 de setembro de 2020 | 04h00

Luiz Antonio Sacco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Muito tem se falado sobre inovação nos meios de pagamento. Mesmo com os avanços realizados, a realidade ainda traz muitas dificuldades para o consumidor – e é claro, para as empresas, que inclui desde o excessivo tempo de espera para a conclusão das transações até a ainda ‘memorização obrigatória’ de números de contas e agências, além de dados de destinatários.

Simplificar é o grande objetivo, mas um dos elementos-chave nesse caminho é a interoperabilidade das diversas redes de pagamentos, não somente no âmbito doméstico, mas também das transações internacionais. Hoje, para enviar dinheiro entre contas bancárias, precisamos de várias sequências numéricas e é preciso eliminar algumas barreiras para que a realidade dos pagamentos avance o futuro do ecossistema – não mais composto apenas de contas bancárias em instituições tradicionais, mas novos bancos digitais, fintechs e carteiras digitais.

No varejo, por exemplo, o atual sistema de pagamentos ainda é ineficiente, complexo e desgastante para um comerciante, além de ser cheio de taxas transacionais que compromete sua margem ou sua competitividade. Essa complexidade é ainda maior se lembrarmos que as carteiras digitais como PayPal, PicPay, PagSeguro, Mercado Pago entre outras devem ganhar ainda mais espaço no mercado brasileiro nos próximos anos. Na China – epicentro do e-commerce mundial atual -, as carteiras digitais já são tão – ou até mais – populares que o dinheiro físico. No mundo, o número de usuários já atingiu a casa dos bilhões.

A boa notícia é que há iniciativas em andamento que procuram permitir o livre fluxo de dinheiro, independente de sua origem.

A afinidade do Brasil com os pagamentos digitais já se tornou uma característica conhecida mundialmente. Processos lentos e arcaicos e que dependem diretamente do deslocamento a agências bancárias são, cada vez mais, parte do passado. A digitalização, então, ganha a preferência dos brasileiros, segundo recente pesquisa feita pela empresa de inteligência de mercado em tecnologia, IDC. Os dados não mentem: somos os que mais usam o celular para a realização de pagamentos, por exemplo. Além disso, a maioria dos entrevistados (65%) afirmaram abrir suas contas e realizar suas atividades bancárias por meio de um celular conectado, ultrapassando pagamentos em caixas de bancos e computadores.

A transformação digital no setor de pagamentos não se deverá apenas ao fato de realizar transações pelo smartphone, mas consistirá em priorizar a experiência e a jornada do consumidor.

Quando pensamos no PIX, novo sistema de pagamento do Banco Central que entra em operação neste ano, é possível perceber que são positivas as perspectivas para um sistema flexível, ágil e sem barreiras no país e que facilitarão demais os pagamentos domésticos.

A menos de três meses do lançamento oficial do sistema, ainda devemos aguardar para ver se, de fato, o PIX impulsionará o Brasil rumo à adesão em massa de transações digitais. Importante ressaltar, ainda, que um dos focos das fintechs no país é justamente conquistar a empatia dos desbancarizados – que, por aqui, somam mais de 45 milhões de pessoas. Com a implementação do PIX, quem sabe não estejamos tão distantes também de transações envolvendo outras moedas digitais e até mesmo cripto ativos no futuro utilizando a mesma infraestrutura?

Outro caso que merece destaque é a iniciativa PayId (payid.org) recentemente anunciada pela Open Payments Coalition formada por mais de 40 empresas. Trata-se de um identificador universal de pagamentos concebido em uma plataforma “open source” para simplificar dramaticamente os fluxos de pagamentos através das suas mais diversas redes existentes. Ou seja interoperabilidade completa, exatamente como acontece com as trocas de emails hoje em dia.

Com todas essas mudanças em curso, podemos esperar que a criação – e expansão – de novos sistemas de pagamento irão aproximar ainda mais países, instituições e pessoas.

E isso poderá trazer ótimas oportunidades para as próprias autoridades regulatórias se beneficiarem dessa evolução tecnológica para facilitar o fluxo financeiro, reduzir custos sistêmicos e trazer mais inclusão financeira, preservando ao mesmo tempo a segurança e conformidade sejam preservados, como deseja a sociedade.

*Luiz Antonio Sacco, diretor-geral da Ripple para a América Latina

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