Setores recomendados para se investir neste fim de ano

Setores recomendados para se investir neste fim de ano

Raul Gomes*

08 de dezembro de 2019 | 05h00

Raul Gomes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em 2019, o Brasil passou por grandes mudanças estruturais, no que tange a política monetária expansionista. Por meio de sucessivos cortes na taxa Selic, o novo governo procurou estimular o consumo e a retomada da economia.

Agora, o brasileiro conta com um cenário de taxa básica de juros a 5,00% a.a. – mínima considerada histórica –  e com projeções quase unanimes entre os analistas, de que se encerre o ano em 4,5% a.a. Fato que tende a se confirmar na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá nos próximos dias 10 e 11 de dezembro.

O comitê já sinalizou também, que esse patamar de taxas de juros a 4,5% a.a. deve se manter ao longo do ano de 2020, já que os índices inflacionários se encontram em níveis confortáveis e a expectativa de inflação – segundo o boletim Focus para 2020 – gira em torno de 3,6%.

A taxa de juros real da economia – percentual de juros nominal descontado da inflação – pode ser de em torno de 0,9% a.a. em 2020, o que irá impactar diretamente os nossos investimentos nesse final de ano e no decorrer do próximo ano.

Vale a pena lembrar, que independentemente do perfil de alocação do investidor, é importante que ele sempre tenha uma parcela da carteira aplicada em títulos públicos com liquidez diária, pois assim será possível atender a eventuais emergências, sem ficar exposto a volatilidades desnecessárias. A porcentagem de alocação da reserva de emergência, deve ser determinada por cada investidor, de acordo com a sua necessidade pessoal.

Com tudo isso exposto, você deve estar se perguntando, em quais setores deve alocar o seu capital nesse final de ano? E qual deles são realmente viáveis e podem trazer retornos reais?

Diante desse novo cenário, torna-se inviável uma carteira de investimentos pautada puramente em renda fixa. Somente expondo a maior parte de sua carteira em ações e fundos imobiliários, o investidor conseguirá fugir de aplicações atreladas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Alinhado a estes dois pontos, para os investidores de perfil conservador, – aqueles que tem maior aversão ao risco –, sugiro aumentar a posição com a alocação em papéis pós-fixados do Tesouro IPCA+ com vencimentos entre 2035 e 2050, e taxas de 3,03% e 3,39% respectivamente, que basicamente corrigem a inflação acrescida de uma taxa de prêmio.

Outra sugestão para diversificar a carteira nesse perfil, mantendo toda a segurança, é a alocação em ativos pré-fixados do Tesouro com vencimentos mais curtos, pois estes cenários são mais palpáveis para avaliar se a rentabilidade acordada para o pagamento no final do período é atrativa, como por exemplo, o Tesouro pré-fixado com o vencimento em 2025 e remuneração de 6,36%, e o Tesouro pré-fixado com juros semestrais em 2029 e remuneração de 6,72%.

Já para os clientes que tem um perfil mais arrojado, o leque de investimentos se expande, por isso, pedimos aos mesmos muita atenção na hora de preencher o seu suitability. Seja em seu banco ou corretora, essa verificação permite que você invista em produtos, que realmente estejam dentro do seu perfil e não venha a se frustrar no futuro com possíveis perdas.

Para estes clientes, sugerimos aumentar a sua posição em ativos de renda variável, que hoje é a maior recomendação entre os analistas e especialistas do mercado de investimentos.

Relativamente, os fundos imobiliários requerem um acompanhamento menos intenso por apresentarem uma volatilidade menor que as ações. É uma boa saída para quem está acostumado a investir diretamente em imóveis, já que não é preciso imobilizar todo o dinheiro na compra de um apartamento, por exemplo, e ter toda a dor de cabeça de lidar com a locação, impostos, obras, e dentre outros empecilhos.

O interessante destes ativos e o principal diferencial dos mesmos, é que eles pagam dividendos mensais, cada um em uma proporção diferente, e estes dividendos já são isentos de Imposto de Renda. Eles também trazem mais mobilidade e liquidez ao investidor, já que são negociados em bolsa no mercado secundário, assim como as ações, ou seja, a liberdade para a realocação é maior.

É importante diversificar em 4 ou 5 classes de fundos, alocando em fundos de shopping, galpões logísticos, lajes corporativas, fundos de fundos e fundos de papel, que por sua vez, são fundos que compram títulos no ramo imobiliário, como LCI’s CRI’s, e LH’s e são conhecidos pela sua capacidade de criação de caixa.

Neste cenário político, um pouco mais otimista de final de ano, sugerimos aumentar a alocação no setor de galpões logísticos, já que com a economia se aquecendo, a tendência é que este campo se beneficie bastante.

Na montagem da carteira de renda variável, sugerimos ao cliente, a alocação em torno de 15% a 40%, de acordo com o tamanho da carteira do cliente e seu perfil. Para quem está iniciando e deseja fazer investimentos com valores mais altos, uma assessoria de investimentos é crucial na hora de montar a sua carteira de investimentos.

*Raul Gomes, economista e assessor de investimentos da Monteverde Investimentos

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