Servidores da Justiça Eleitoral entram em greve a 5 dias do 1º turno

Paralisação deverá afetar também a Justiça Federal e a Trabalhista. Grevistas alegam que auxílio moradia para os juízes "aumentou insatisfação"

Redação

27 de setembro de 2014 | 05h00

Por Fausto Macedo

Dizendo-se “indignados”, servidores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo – maior Corte eleitoral do País – decidiram parar por tempo indeterminado a cinco dias das eleições gerais e fazer assembleias diárias para avaliar o movimento que, segundo eles, busca “pôr fim a oito anos de perdas salariais acumuladas”. A greve, informam os servidores, será deflagrada nesta terça feira, 30.

Na avaliação dos funcionários do TRE/SP, a paralisação “pode ajudar a puxar novos protestos nacionais dos servidores do Judiciário Federal antes das eleições”. A greve foi decidida em assembleia conjunta de servidores das Justiças Eleitoral, Trabalhista e Federal durante protesto em São Paulo, na quarta-feira, 24, em frente ao TRE.

Segundo os grevistas, houve paralisações e protestos também em outros Estados, como Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Maranhão. Os servidores lutam pela aprovação de um projeto de lei no Congresso que, segundo eles, assegura a recuperação de uma defasagem salarial superior a 56%, acumulada desde 2006, quando foi aprovado o último Plano de Cargos e Salários.

Os grevistas criticam a decisão do Supremo Tribunal Federal de conceder o auxílio-moradia aos juízes. “É um sentimento de indignação que vai se consolidando na categoria”, avalia Adilson Rodrigues, da Justiça Federal de São Paulo e da coordenação da Federação Nacional dos Servidores do Judiciário Federal (Fenajufe).

Segundo Rodrigues, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, havia sinalizado a abertura de negociações após as eleições, mas o governo cortou o orçamento do Judiciário. “Com isso, reduziu o aumento do subsídio para os ministros do Supremo e afastou a possibilidade de corrigir o salários dos servidores”, destaca Adilson Rodrigues.

“A insatisfação da categoria cresceu diante da liminar que estendeu o auxílio-moradia aos juízes federais”, protesta o sindicalista.
Segundo os servidores, os magistrados ainda articulam a aprovação de emenda constitucional para recuperar o adicional por tempo de serviço e buscam uma gratificação por acúmulo de funções.

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