Servidor público flagrado com R$ 1,2 mi em dinheiro diz que fortuna é da venda de uma fazenda do tio

Servidor público flagrado com R$ 1,2 mi em dinheiro diz que fortuna é da venda de uma fazenda do tio

Anesio Corat Junior, que chefiava Departamento de Prestação de Contas da Secretaria da Saúde de Campinas (SP), é alvo da Operação Ouro Verde, deflagrada quinta-feira, 30, pelos promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado - braço do Ministério Público do Estado -, contra esquema de desvio de verbas

Luiz Vassallo e Julia Affonso

02 Dezembro 2017 | 05h04

Foto: Reprodução

O chefe do Departamento de Prestação de Contas da secretaria municipal de Saúde de Campinas (SP), Anesio Curat Júnior, flagrado na posse de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, disse aos investigadores da Operação Ouro Verde que a fortuna encontrada em sua residência tem origem na venda de uma fazenda do tio, que reside com ele. Anesio, que é dentista, foi afastado do cargo em comissão de diretor nesta sexta-feira, 1, pelo prefeito Jorge Donizete (PSB), e será alvo de um processo disciplinar.

A Operação Ouro Verde foi deflagrada nesta quinta-feira, 30, pelos promotores de Justiça do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco)/Campinas. Eles investigam desvios milionários na área de saúde.

A apuração mostra que um grupo por trás da Organização Social Vitale, que administra o Hospital Ouro Verde, usa a entidade, que não deveria ter fins lucrativos, para obter indevida vantagem patrimonial.

Segundo a Ouro Verde, a vantagem é obtida pelo desvio sistemático de recursos públicos da área da saúde.

Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e seis de prisão, distribuídos em sete cidades do Estado de São Paulo.

A fortuna em dinheiro vivo foi encontrada na casa de Anesio Curat. Os investigadores ficaram perplexos com a mala e caixas de papelão e de plástico estufadas de cédulas. É uma das maiores apreensões em dinheiro vivo da história recente do País.

A Ouro Verde também apreendeu veículos de luxo, uma Ferrari vermelha e uma BMW.

A sede da Prefeitura de Campinas também foi alvo de buscas.

A Justiça decretou o bloqueio patrimonial de seis investigados.

Diante do avanço da Ouro Verde, o prefeito Donizete revogou a portaria que nomeou Anesio para exercer o cargo em comissão de Diretor de Departamento, junto ao Departamento de Prestação de Contas, da Secretaria Municipal de Saúde.

Donizete mandou abrir processo disciplinar para investigar Anesio. Segundo a assessoria do prefeito, ‘caso seja constata a inocência do servidor, ele retornará ao cargo de origem, que é dentista, caso contrário, ele será demitido’.

O prefeito também exonerou Ramon Luciano da Silva, que ocupava um cargo em comissão na Coordenadoria Setorial de Auditoria e de Repasse Público ao Terceiro Setor, do Departamento de Prestação de Contas, da Secretaria Municipal de Saúde.

COM A PALAVRA, ANESIO

A reportagem não localizou Anesio Corat Júnior. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ORGANIZAÇÃO SOCIAL VITALE

A reportagem fez contato com a Vitale. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE CAMPINAS

No dia que a Operação Ouro Verde saiu às ruas, quinta-feira, 30, a administração Jorge Donizete divulgou a nota oficial abaixo.

“A Prefeitura de Campinas informa que está colaborando com as investigações do Ministério Público referente à Vitale e que tomará todas as providências ao seu alcance para que o caso seja elucidado o mais rapidamente possível.”

“A Administração Municipal, nesses últimos cinco anos, vem prezando pela probidade com os recursos públicos e, se ficar constatado o envolvimento de algum agente público com qualquer ilegalidade, ele será exemplarmente punido.”

“Como a própria Imprensa vem noticiando nas últimas semanas, a Prefeitura já preparava um projeto criando um novo modelo de gestão para a saúde pública municipal de urgência, emergência e hospitalar, que inclui o Hospital Ouro Verde. Trata-se da Rede Municipal Mário Gatti.”

Mais conteúdo sobre:

Anesio Curat Júnior