Servidor admite operação de propinas dentro de prédio público em Minas

Servidor admite operação de propinas dentro de prédio público em Minas

O ex-diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares, Minas Gerais, Vilmar Rios Dias Júnior, delator da Operação Mar de Lama, admitiu ter intermediado propina de R$ 350 mil entre empresários que, segundo o Ministério Público, se associavam para lotear contratos públicos da cidade mineira. Na última quarta-feira, quatro foram presos preventivamente

Luiz Vassallo

02 de abril de 2017 | 05h15

Apreensão da Operação Mar de Lama, deflagrada em abril de 2016. Foto: PF

Apreensão da operação Mar de Lama, deflagrada em abril de 2016. Foto: PF

O ex-diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares, Minas Gerais, Vilmar Rios Dias Júnior, preso na Operação Mar de Lama, admitiu, em delação premiada, operar propinas “na porta” da companhia de saneamento municipal. Ele relatou ao Ministério Público ter intermediado pagamento de R$ 350 mil a um empresário local, que teria desistido de um contrato público mediante o recebimento dos valores parcelados em um ano e dois meses.

As investigações da Operação Mar de Lama se iniciaram em 2016, sobre os desvios de verbas públicas do governo federal destinados a Governador Valadares, em Minas Gerais, para socorrer a cidade em 2013. Após acordos de delação premiada, os inquéritos foram expandidos para outros contratos do município. Na 9ª fase, deflagrada na última quarta-feira, o foco do Ministério Público e da Polícia Federal é em contrato público para a poda de árvores da cidade.

De acordo com o Ministério Público Estadual de Minas Gerais, a empresa Fejoli Florestal, cujo sócio proprietário é Carlos Elder Lázaro, foi contratada. No entanto, o dono de outra construtora, Paulo Guimarães Rodrigues, teria reivindicado o contrato como “cota” dele na Prefeitura. O Ministério Público Estadual de Minas Gerais desconfia de que, por intermédio do ex-diretor da companhia de saneamento municipal Omir Quintino, os executivos chegaram a um acordo. Carlos Elder Lázaro teria aceitado a impugnação do certame em troca de propinas de R$ 350 mil reais. O valor foi dividido em 14 parcelas de R$ 25 mil.

As investigações são embasadas na delação premiada do ex-diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares, Minas Gerais, Vilmar Rios Dias Júnior, preso na primeira fase da operação Mar de Lama. Ele relatou ao Ministério Público ter a função de receber do empresário Paulo Guimarães, todos os meses, na porta do prédio da Companhia de Saneamento Municipal, R$ 25 mil para repassar a Emílio Froes, sócio da construtora que desistiu do contrato para a “poda de árvores podas de árvores próximas de sinais de trânsito, reforma de ressaltos de pedestres, além de manutenção e preparação de sinalização de trânsito, incluindo semáforos”.

Em delação premiada, ex-diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares, Minas Gerais, Vilmar Rios Dias Júnior, relatou que após fazer os pagamentos, avisava o ex-secretário municipal de Serviços Urbanos Seleme Hilel, por meio de mensagens via celular. O aparelho telefônico móvel do delator, apreendido na operação, revela mensagens ao então chefe da pasta indicando, mensalmente, que as “parcelas” da propina, divididas em 14 meses, haviam sido pagas. No primeiro mês, por exemplo, foi enviada a mensagem“1/14”, por meio de rede social.

Consta no anexo da delação premiada do ex-diretor da Companhia de Saneamento Muncipal que “os pagamentos eram realizados na MOTOVEL, empresa que pertence a EMÍLIO FRÓES e que fica situada no Centro desta cidade de Governador Valadares; que os pagamentos eram feitos, em regra, todo dia 20 de cada mês; que, em todos os pagamentos, EMÍLIO conferia os valores na frente do próprio colaborador; que a forma de verificação era peculiar, uma vez que eram colocadas “nota sobre nota”.

O ex-diretores da companhia de saneamento municipal Omar Quintino e os empresários Carlos Elder Lázaro, Paulo Guimarães Rodrigues e Emílio Fróis são alvo de prisão preventiva na 9ª fase da Operação Mar de Lama, deflagrada na última quarta-feira, 29. Endereço atribuído a Seleme Hilel Neto foi alvo de busca e apreensão.

Em decisão que deflagrou a 9ª etapa da operação, a juíza de direito da 3ª Vara Criminal de Governador Valadares, Fátima Barreto de Souza justifica as prisões considerando que constam nos autos “exaustivos dados concretos que revelam intenso risco para a ordem pública e econômica municipal, caso os representados permaneçam em liberdade, na medida em que são pessoas influentes na cidade, tratando-se de empresários e, uma vez soltos, decerto não medirão esforços para atrapalharem os rumos da investigação, inclusive eventual inutilização de provas”.

COM A PALAVRA, CARLOS LAZARO

A reportagem entrou em contato, por telefone e e-mail, com a empresa Fejoli Florestal, cujos sócios, segundo o Ministério Público, são Carlos Lázaro e Emílio Fróes, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, EMÍLIO FROES

A reportagem entrou em contato, por telefone e e-mail, com a empresa Fejoli Florestal, cujos sócios, segundo o Ministério Público, são Carlos Lázaro e Emílio Fróes, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, PAULO GUIMARÃES RODRIGUES

A reportagem tentou contato por e-mail e por telefone com empresas de Paulo Guimarães, mas não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, OMIR QUINTINO

A defesa de Omir Quintino não foi localizada. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A EX-PREFEITA DE GOVERNADOR VALADARES ELISA COSTA

A defesa de Elisa Costa não foi localizada. A reportagem entrou em contato com o PT de Minas Gerais, para buscar o encaminhamento das questões à ex-prefeita, mas ainda não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE GOVERNADOR VALADARES

Representantes do SAAE informaram, por telefone, que a companhia não vai se manifestar a respeito das investigações.

COM A PALAVRA, SELEME HILEL NETO

A reportagem entrou em contato com Seleme Hilel Neto, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.

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