‘Seria bom se uma campanha não fosse norteada pelo dinheiro’ diz ministro do Supremo

‘Seria bom se uma campanha não fosse norteada pelo dinheiro’ diz ministro do Supremo

Marco Aurélio Mello votou pela proibição de doações ocultas de pessoas físicas a políticos; declaração é resposta ao relator da minirreforma eleitoral na Câmara, para quem o STF vive em 'um mundo ideal'

Valmar Hupsell Filho

14 Novembro 2015 | 07h00

Marco Aurélio Mello

Marco Aurélio Mello

Um dos ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram pela proibição de doações ocultas de pessoas físicas a candidatos a cargos eletivos, o ministro Marco Aurélio Mello disse nesta sexta-feira, 13, ao Estado que “seria bom” se uma campanha não fosse norteada pelo dinheiro. Segundo ele, o sigilo da origem do dinheiro que financia uma campanha eleitoral não está de acordo com o “verdadeiro estado democrático”.

“Seria tão bom se uma campanha não fosse norteada pelo dinheiro porque aí se teria a exposição em si do que interessa que é o perfil do candidato”, disse Marco Aurélio. “O ministério se coaduna com o verdadeiro estado democrático de direito, principalmente cogitando-se de escolhas de representantes do povo brasileiro”, completou.

A declaração do ministro é uma resposta ao deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), relator da minirreforma eleitoral na Câmara. Após a aprovação unânime do fim do sigilo nas doações de pessoas físicas, o parlamentar tucano disse nesta quinta-feira, 12, que o Supremo vive em “um mundo ideal”. “Daqui a pouco o Supremo vai querer que a gente faça a campanha sem dinheiro, mas faz parte da vida. O Supremo vive num mundo ideal”, disse Maia na ocasião.

Nesta sexta, Marco Aurélio disse que o princípio que rege a administração pública é o da transparência. “Essa foi a tônica do meu voto, que foi anexado ao do relator. Vinga na administração pública como todo, e na vida da sociedade, a transparência, que é o que conduz a outro predicado que é a eficiência”, disse.

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