Sérgio Moro já atravessou o Rubicão

Sérgio Moro já atravessou o Rubicão

Cássio Faeddo*

15 de junho de 2021 | 09h30

Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A célebre frase atravessar o Rubicão é conhecida por descrever o momento histórico no qual Júlio Cesar, então general romano, ultrapassava os limites do riacho para adentrar a território interno do império, ou seja, entrar em Roma.

Assim, não era permitido pelo direito romano que nenhum general mobilizasse legiões ultrapassando aquele limite do curso d´água.

Após conquistar a Gália em seis anos de batalhas, ou Júlio César enfrentava Pompeu, que conspirava no senado para exilá-lo em qualquer lugar distante de Roma, ou avançava com suas legiões para tomar o que deveria ser seu por honra: o império romano.

Conquistar a Gália foi um colossal feito de César; Pompeu, possivelmente, não acreditou que César pudesse fazê-lo. Não só César realizou a façanha, como o fez de forma extraordinária, porém sem qualquer autorização do senado romano.

Ou seja, feitos grandiosos nem sempre, ou quase nunca, são realizados em condições ideais. A aclamação sempre é posterior ao feito.

O mesmo ocorre com a história do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Ao aceitar o convite de Bolsonaro para compor um pseudo governo anticorrupção, teve que encarar a realidade da extinção paulatina da Lava Jato, bem como a cooptação das instituições que deveriam combater a corrupção.

O tempo de resguardo e o silêncio foi muito importante, e embora muitos analistas julguem que o capital político de Moro junto as elites tenha diminuído, o mesmo não se pode dizer quanto ao eleitor comum.

Há um gosto amargo em boa parte do eleitorado que desejava que a corrupção fosse combatida, e teve que acompanhar a liberação de um a um dos condenados processados pela Justiça Federal no decorrer do tempo.

Se aproximadamente há 25% de torcedores para cada lado entre Lula e Bolsonaro, há cerca de 50% de eleitores que não querem nenhum deles, mas ainda não têm uma opção claramente disposta a concorrer contra ambos.

Mas para entrar na luta, Moro terá que superar as críticas da esquerda, especialmente petista, e dos Bolsonaristas. Não se pode confundir esse público com o eleitorado como um todo.

Assim, se é verdade que Sérgio Moro finalmente decidiu cruzar o Rubicão, porque nada é por acaso, talvez possar afirmar depois: Veni, vidi, vici (Vim, vi, venci), também atribuída a Júlio César.

*Cássio Faeddo, advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP

Tudo o que sabemos sobre:

ArtigoSérgio Moro

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.