Sérgio Cabral pediu R$ 30 milhões, afirma delator a Moro

Sérgio Cabral pediu R$ 30 milhões, afirma delator a Moro

Ex-diretor da Petrobrás depôs ao juiz da Operação Lava Jato em ação contra ex-governador do Rio

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

10 Março 2017 | 19h49

06-08-2013. Sérgio Cabral e Pezão. Foto: Eny Miranda/IMPRENSA

06-08-2013. Sérgio Cabral e Pezão. Foto: Eny Miranda/IMPRENSA

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento nesta sexta-feira, 10, ao juiz federal Sérgio Moro que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) lhe pediu R$ 30 milhões para a campanha eleitoral de 2010. O pedido, disse Costa – primeiro delator da Operação Lava Jato – ocorreu em reunião no Palácio da Guanabara.

“No pedido que foi feito pelo governador nessa reunião no Palácio do Guanabara, o governador me pediu 30 milhões de reais para a sua campanha. Como seria feito esse rateio com as empresas, eu não participei disso. Mas o valor total que me foi pedido pelo governador na data da reunião foram R$ 30 milhões”, afirmou.

Costa depôs como testemunha de acusação na ação penal contra Cabral, acusado de recebimento de propina de R$ 2,7 milhões em contrato de terraplanagem das obras do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), da Petrobrás.

Moro o indagou sobre informação de que os executivos da empreiteira Andrade Gutierrez – também envolvidos na propina a Cabral nas obras do Comperj -, mencionaram em seus depoimentos que ‘havia compromisso de 1%” no contrato de terraplanagem da obra’. O juiz quis saber de Paulo Roberto Costa se a ele foi falado em porcentuais.

Costa respondeu que o executivo da Andrade perguntou a ele se era para honrar o compromisso com o governador. “E minha resposta foi que era para honrar o compromisso com o governador.”

Moro quis saber, então “Qual era o compromisso?”.

“O governador me pediu 30 milhões de reais para a sua campanha.”

O juiz da Lava Jato perguntou porque o ex-diretor da Petrobrás aceitou pagar.

“Eu aceitei ajudar na ocasião porque ele (Cabral) era uma figura proeminente no PMDB à época, e o PMDB era um partido que estava me apoiando junto com o PP (na Petrobrás).”

“(A reunião) Foi antes da eleição de 2010, acredito que seja nos primeiros meses, no primeiro semestre de 2010. Foi solicitação para a campanha de reeleição do governador, em 2010.”

A reportagem procurou o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão e a defesa do ex-governador Sérgio Cabral. Não houve retorno.