Sérgio Cabral nega caixa 2 em campanha de reeleição no Rio

Sérgio Cabral nega caixa 2 em campanha de reeleição no Rio

Segundo o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o ex-governador lhe pediu R$ 30 milhões para a campanha eleitoral de 2010

Redação

27 de junho de 2015 | 18h55

Sérgio Cabral. Foto: Fábio Motta/AE

Sérgio Cabral. Foto: Fábio Motta/AE

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) negou, em depoimento prestado à Polícia Federal, em 30 de abril, que tenha existido caixa 2 em sua reeleição ao Estado, em 2010. Segundo o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, Cabral lhe pediu R$ 30 milhões para a campanha.

“Não houve existência de caixa 2 em sua campanha, e que suas contas foram todas aprovadas pelo TRE e TSE”, disse. “Não tem conhecimento que seus assessores tiveram reuniões em hotéis.”

Tesoureiro da campanha de Cabral diz não ter participado de encontro em hotel

Os principais assessores relativos à assuntos políticos e para captação para recursos de campanha de Cabral em 2010, segundo Cabral, eram Régis Fichtner, então chefe da casa civil, Wilson Carlos, então secretário de governo, e o vice-governador Luiz Fernando Pezão, à época. Ele disse que coordenava pessoalmente sua candidatura, com a direção dos demais partidos coligados e do PMDB.

Cabral contou que nunca se reuniu com Paulo Roberto Costa, sem outros representantes da Petrobrás. E que o conheceu na mesma ocasião que os outros diretores da estatal.

“Não convidou Paulo Roberto Costa para uma reunião consigo que visasse a obtenção de valores oriundos de empresas que tinham contratos com Comperj”, afirmou o ex-governador. “Jamais houve qualquer reunião de Régis Fichtner e Luiz Fernando Pezão com Paulo Roberto Costa, isoladamente.”

Cabral informou à PF que não tem conta no exterior e nem empresa offshore de que seja procurador ou beneficiário. Afirmou ainda que conhece Marcelo Odebrecht por serviços prestados ao governo do Estado do Rio, conheceu Ricardo Pessoa, em uma solenidade, mas só esteve com ele uma ou duas vezes e não se recorda de ter conhecido Ricardo Ourique, da Techint.

“Não se recorda de ter conhecido Alberto Youssef e nem Fernando Baiano”, afirmou.

Primeiro delator da Lava Jato, Costa disse, em depoimento no fim de abril, que durante uma reunião, em 2010, Cabral determinou a Régis Fichtner, então chefe da Casa Civil, que se articulasse com o Costa para que ‘ambos, em reuniões a serem realizadas em um hotel, obtivessem os valores oriundos de empresas contratadas’ pela estatal.

“Dos valores pagos pelas empresas contratadas do Comperj, 1% era destinado ao PP e PMDB, portanto os R$ 30 milhões deixaram de ser repartidos entre PP e PMDB para atender o governador Sérgio Cabral; que Régis telefonou ao declarante e disse “Paulo, sobre aquele assunto que falamos com o Governador, vamos fazer uma reunião no hotel Caesar Park, em Ipanema, às 9h da manhã”, disse Costa em sua delação.

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