Sérgio Cabral, mais uma vez, no banco dos réus da Lava Jato

Sérgio Cabral, mais uma vez, no banco dos réus da Lava Jato

Ex-governador do Rio e outros seis investigados são acusados pela força-tarefa Lava Jato de pagar ou receber propina para fraudar contratos da área de saúde

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mariana Sallowicz e Constança Rezende

16 de maio de 2017 | 18h16

Sérgio Cabral. Foto: Brunno Dantas /TJRJ

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, aceitou nesta terça-feira, 16, a nova denúncia da força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio, contra o ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB). Também viraram réus outros seis acusados pelo Ministério Público Federal por corrupção na Saúde.

Documento

O Ministério Público Federal denunciou Sérgio Cabral e outros seis investigados por corrupção passiva e ativa e organização criminosa por irregularidades cometidas na Secretaria Estadual de Saúde, entre 2007 e 2014. Além do ex-governador, César Romero, Carlos Miranda, Carlos Bezerra, Sérgio Côrtes, Miguel Iskin e Gustavo Estellita são acusados pela força-tarefa Lava Jato de pagar ou receber propina para fraudar contratos da área de saúde.

Segundo a denúncia oferecida à 7ª Vara Federal Criminal, a Operação Fatura Exposta aponta que o modus operandi do esquema atribuído ao ex-governado do Rio, que cobrava 5% sobre todos os contratos firmados pelo Estado, também se ramificou na Secretaria de Saúde. O esquema, operado por Côrtes e por Romero, ex-secretário e subsecretário da pasta, direcionava as licitações de serviços e equipamentos médicos ao cartel organizado por Miguel Iskin e Gustavo Estellita, sócios nas empresas Oscar Iskin Ltda. e Sheriff Serviços e Participações.

De acordo com o relatado, os empresários eram os responsáveis por trazer ao país as empresas estrangeiras que participavam das licitações internacionais, que eram divulgadas apenas no Brasil. As empresas se articulavam entre si, fazendo um rodízio que privilegiava a cada uma delas por vez. Em função do arranjo, os envolvidos sabiam quanto cada empresa cobraria pelos produtos antes mesmo de sair a cotação do pregão internacional.

Miranda e Bezerra eram os encarregados de distribuir a propina paga pelos empresários, em um total de mais de R$ 16,2 milhões, cálculos feitos sobre os manuscritos contábeis da organização. Além de Cabral, o ex-secretário e o subsecretário também recebiam, respectivamente, 2% e 1% sobre os valores dos contratos da saúde. Os pagamentos eram recebidos e repassados pelos operadores mensalmente e variavam entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

A denúncia oferecida à 7ª Vara Federal refere-se apenas aos crimes de corrupção passiva, ativa e de organização criminosa na área de saúde durante a gestão de Cabral. As demais condutas criminosas da organização capitaneada pelo ex-governador ainda serão objeto de denúncias posteriores da força-tarefa da Lava Jato, no Rio.

O advogado de Cabral não respondeu ao contato da reportagem. A defesa de Côrtes disse que ainda não teve acesso à denúncia e não comentaria. A assessoria de Miguel Iskin e Gustavo Estellita informou que a defesa de ambos não vai se manifestar.

O advogado de Luiz Carlos Bezerra, Ranieri Mazzilli Neto, disse ainda desconhecer o teor da denúncia. O advogado de Carlos Miranda, Daniel Raizman, afirmou que “desconhece os fatos que se imputam” ao seu cliente. Disse que vai se pronunciar durante a ação penal.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoSérgio Cabral

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.