Sérgio Cabral comprou joia em dinheiro vivo ‘quando era deputado e senador’, diz gerente de joalheria

Sérgio Cabral comprou joia em dinheiro vivo ‘quando era deputado e senador’, diz gerente de joalheria

Vera Guerra, da Antônio Bernardo, relatou que a última compra do peemedebista foi há cerca de dois anos, quando adquiriu ‘um colar de ouro avaliado em cerca de R$ 10 mil’

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

24 de novembro de 2016 | 05h15

Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo. Foto: Wilton Júnior/Estadão

A gerente da joalheira Antônio Bernardo, Vera Lúcia Guerra, declarou à Polícia Federal que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) era seu ‘cliente pessoal’ e afirmou que o peemedebista comprou joias em dinheiro vivo desde ‘quando era deputado e senador’. Vera relatou que a última compra do peemedebista foi há cerca de dois anos – na ocasião, adquiriu ‘um colar de ouro avaliado em cerca de R$ 10 mil pago em dinheiro’.

Sérgio Cabral foi deputado estadual de 1991 a 2003. Entre 1995 e 2003 ocupou a presidência da Assembleia Legislativa do Rio. Ele se elegeu senador em 2003 e ocupou o cargo até 2006, quando deixou a vaga para concorrer ao governo do Rio. Por dois mandatos, foi o chefe do Executivo fluminense (2007-2014).

“Quando era deputado e senador Sérgio Cabral procurou pessoalmente a declarante para comprar joias em dinheiro vivo; também os filhos de Sérgio Cabral chegaram a procurar a declarante para comprar joias com pagamento em espécie, sendo que nesses episódios o dinheiro era portado pelos próprios filhos de Sérgio Cabral”, afirmou Vera Guerra.
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O depoimento da gerente foi prestado em 17 de novembro – quando foi deflagrada a Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato que prendeu Sérgio Cabral.

Vera declarou conhecer Carlos Miranda, apontado pela investigação como o ‘homem da mala’ do ex-governador.

“Neste episódio Sérgio Cabral escolheu a joia com a ajuda da declarante, sendo que o pagamento foi feito posteriormente em dinheiro por um homem desconhecido da declarante, sendo certo que não foi Carlos Miranda quem pagou este colar”, disse.

Vera deu detalhes sobre a atuação de Carlos Miranda.

“Em datas comemorativas, aniversários, Natal, etc, era comum Carlos Miranda procurar a declarante por telefone ou pessoalmente em busca de joias, sempre femininas, para presente; que Carlos Miranda é cliente antigo da loja, lá comprando há cerca de dez a doze anos, não sabendo precisar quantas vezes vendeu joias ao mesmo; que o pagamento era feito quase sempre em dinheiro, sempre em moeda nacional”, relatou.

Vera disse não se recordar ‘exatamente se e quantas vezes Carlos Miranda comprou joias com cartão’. Segundo a gerente, ‘o valor das joias em espécie girava em torno de R$ 1 mil a R$ 10 mil, podendo ter vendido algo acima de R$ 10 mil, mas não se recorda precisamente’.

“Carlos Miranda procurava a declarante cerca de duas a três vezes ao ano”, disse.

De acordo com a gerente da joalheria Antônio Bernardo, não cabia a ela responder pela parte de pagamento, ‘razão pela qual não sabe dizer se houve ou não pagamento sem nota fiscal’.

Vera Guerra explicou que os certificados das joias não têm o ‘nome do cliente para quem foram vendidas, traz apenas o código, o nome, a data e o prazo de troca, não constando material de fabricação, valor, peso e outras características do objeto’.

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