Sergio Brasil desejava ‘propina em dinheiro, espécie’, diz Promotoria

Sergio Brasil desejava ‘propina em dinheiro, espécie’, diz Promotoria

Denúncia do Ministério Público de São Paulo revela engenharia da Camargo Corrêa para repassar R$ 2,5 milhões a ex-dirigente do Metrô de São Paulo, acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Julia Affonso e Fausto Macedo

11 Maio 2018 | 11h11

Na denúncia contra o ex-dirigente do Metrô de São Paulo Sérgio Brasil por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o Ministério Público de São Paulo afirma que o executivo ‘desejava receber os valores da propina em dinheiro, espécie’. Brasil é acusado de receber propina de R$ 2,5 milhões da empreiteira Camargo Corrêa sobre as obras da Linha 5-Lilás, do Metrô.

Documento

Segundo a denúncia, a empresa ‘lhe relatou da sua impossibilidade contábil para gerar os recursos nestas condições (em dinheiro)’. Os valores, afirma o promotor Marcelo Mendroni, foram transferidos por meio de dois contratos simulados entre a Camargo Corrêa e a empresa AVBS, de Gilmar Alves Tavares – também alvo da denúncia, por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

“Assim que, para viabilizar o pagamento da vantagem indevida a Sergio Correia Brasil, ficou estabelecido que haveria um contrato ou mais contratos de prestações de serviços simulados – com pagamentos sem efetiva contrapartida de prestação de serviços, entre a CCCC e a empresa indicada por ele – Sergio Correa Brasil, denominada AVBS”, registrou a Promotoria.

O Ministério Público de São Paulo afirma que ‘a AVBS não prestou qualquer serviço à CCCC’.

Sérgio Brasil foi delatado pelos executivos Jorge Yazbek e Eduardo Maghidman, da Camargo Corrêa.

“Jorge Yazbek disponibilizara a Gilmar Tavares um arquivo eletrônico contendo relatório preparado pela própria CCCC que, de fato, tinha realizado os estudos de viabilidade do Trevo de Jundiaí. Este documento foi parcialmente editado e entregue pela própria CCCC à AVBS, já com o timbre da AVBS para viabilizar uma possível justificativa em caso de eventual questionamento, se as evidências viessem ao conhecimento das Autoridades Públicas Investigadoras”, narra o promotor.

“Depois de receber os valores do contrato simulado, a AVBS pôde fazer saques de valores expressivos em dinheiro para serem entregues a Sergio Correa Brasil.”

COM A PALAVRA, O METRÔ DE SÃO PAULO

“O Governo do Estado de São Paulo e o Metrô são vítimas dos crimes investigados pelo Ministério Público. Por isso, colaboram com o processo analisando as cláusulas da proposta de delação em suas condições jurídicas, financeiras e técnicas, para que sua homologação garanta a proteção do interesse público.

A Procuradoria Geral do Estado investiga o caso e irá solicitar ressarcimento aos cofres públicos frente comprovação das irregularidades.

O Metrô é o maior interessado na apuração das denúncias de formação de cartel ou de conduta irregular de agentes públicos e, assim, continua à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Cabe salientar ainda que Sérgio Corrêa Brasil não é mais funcionário da Companhia desde dezembro de 2016.”

COM A PALAVRA, OS DENUNCIADOS

A reportagem está tentando localizar os denunciados Sérgio Brasil e Gilmar Tavares. O espaço está aberto para manifestação.

Mais conteúdo sobre:

MetrôSão Paulo