Será que você é um chefe cringe?

Será que você é um chefe cringe?

Maria Eduarda Silveira*

30 de junho de 2021 | 06h00

Maria Eduarda Silveira. Foto: Divulgação

O termo que virou top trendings nos últimos dias tem diversos significados tanto no dicionário quanto no uso que se convencionou dar para a palavra no dia a dia. A pauta era a diferença de idade e o fato de que uma geração parece ter hábitos antiquados, ultrapassados, em relação à quem nasce nos anos seguintes. Pois bem, ao discutir sobre o tema, eu e minha equipe fizemos um exercício interessante e gostaria de compartilhar com vocês: como seria um típico chefe Cringe?

Antes de responder, vale um contexto: as empresas mais tradicionais estão pelejando para desenvolver políticas de Employer Branding com foco em atrair e reter talentos cada vez mais interessados no jeito startup de levar a vida profissional: flexibilidades das mais variadas, escritórios cool e, em muitos casos, remunerações e pacotes de benefícios diferenciados.

Daí que entre o interesse de sobrevivência (e lucratividade) das empresas e os valores das novas gerações podemos encontrar uma pessoa: o chefe. Cabe a ele tentar equilibrar essa corda para entregar suas metas e manter-se empregado. Segundo uma pesquisa realizada pela IBM, 47% dos CEOs globais entrevistados e 77% dos líderes de alto desempenho em todo o mundo relatam que vão priorizar o bem-estar dos funcionários durante o momento atual, mesmo que isso prejudique a lucratividade..

Agora, para ter equipes realmente motivadas – e, consequentemente, produtivas – precisamos mais do que chefe, mas um líder inspirador, empático e disposto a ajudar, legitimamente, o crescimento de cada parceiro de trabalho. Nesse contexto, classificamos aqui o que seria um chefe Cringe:

O sabe-tudo: acredita que a posição atual é garantia de conhecimento total e irrestrito. Manda e espera que a equipe obedeça rigorosamente as ordens.
Problema: além de não permitir a diversidade cognitiva, tende a ser um dos perfis mais avessos à atualização e, portanto, à inovação.

Workaholic: tem hora para começar, mas não termina o expediente nunca. O whatsapp faz todo o sentido para que ele possa acionar a equipe com mais facilidade fora do trabalho. Espera (e cobra) a mesma dedicação à empresa. Problema: custos com horas extras, burnout dele e da equipe, erros por sobrecarga.

Inseguro: Foi subindo de cargo quase que automaticamente, tem pouca habilidade de gestão e pouco equilíbrio emocional. Cerca-se de pessoas parecidas e que não o confrontam. Gosta de ter seu ego massageado e tende a favorecer pessoas que o alimentam nesse sentido. Quem não entra no jogo, costuma sofre as consequências.
Problema: estímulo à competição desleal, desmotivação da equipe, perda de talentos.

Inflexível: exige que a equipe mantenha um dress code rígido, mesmo em ocasiões mais informais, é inflexível com horário e prazos e tampouco permite e incentiva a criatividade.
Problema: hoje em dia, os valores das empresas não são mais tão rigorosos em relação ao dress code, por exemplo. Comprometimento, diversidade, preocupação socioambiental e qualidade de entrega têm sido mais valorizados. Não seguir esse caminho é mostrar-se antiquado, desatualizado.

Muitas outras características podem mostrar o quanto um chefe precisa de atualização, elencamos apenas as que são mais frequentes. Em comum, todas podem levar ao turnover, ao menor desempenho das equipes, entre outros pontos cruciais para o desenvolvimento de uma companhia. Se você se identificou com uma ou mais destas características corra atrás de uma mudança. Não nascemos prontos e as novas gerações nos ajudam a sair da zona de conforto, a questionar o que pode ser melhorado. Aproveite e se torne um líder melhor. Todos ganham com isso, inclusive você!

*Maria Eduarda Silveira, CEO da BOLD HR.

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