‘Será que empresários são todos bandidos?’, questiona advogado de operador do PMDB

Mário de Oliveira Filho, que defende Fernando Baiano, diz que 'todo dia os jornais publicam casos de corrupção'

Redação

19 de novembro de 2014 | 15h55

Por Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende o suposto operador do PMDB no esquema de propinas na Petrobrás, Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, declarou nesta quarta feira,19, que “a imprensa publica diariamente atos de corrupção envolvendo o poder público e empresários”.

“Infelizmente, isso faz parte de uma cultura enraizada no País, segundo publicam os jornais”, declarou Oliveira Filho, à porta da Polícia Federal, em Curitiba, base da Operação Lava Jato. “Quem desconhece essa situação não lê jornal.”

Oliveira Filho foi à PF acompanhar o depoimento de Fernando Baiano, mas a audiência não ocorreu. Os delegados da Lava Jato transferiram o depoimento para sexta-feira. Fernando Baiano teve prisão temporária decretada dia 10. Ele se apresentou à PF nesta terça feira, 18, às 17h07, segundo certidão emitida pela PF.

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À saída, Oliveira Filho, advogado experiente na área criminal, fez uma reflexão sobre as relações entre o poder público e e os empreiteiros. “Diariamente, a gente lê nos jornais denúncia de corrupção, em qualquer lugar do País. Eu não estou generalizando porque seria um erro grave generalizar, mas basta ver os jornais para saber o que acontece no Brasil.”

Oliveira Filho citou o relato do vice presidente executivo da Mendes Junior, Sérgio Mendes, alvo da Lava Jato. Ele afirmou ter sido extorquido pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, e pelo doleiro Alberto Youssef, apontados como personagens centrais da trama. Sérgio Mendes declarou à PF que pagou R$ 8 milhões em quatro parcelas.

“Será que os empresários são todos bandidos?”, questionou o criminalista Mário de Oliveira Filho. “Ou alguém os obriga a pagar para ter contratos? A partir da leitura dos jornais penso que muitos empresários são grandes vítimas de corrupção. As reportagens mostram que uma obra não sai quando não há propina. Não creio que seja assim em todo lugar, mas isso tem que mudar.”