Senador disse que Blairo e Taques poderiam barrar investigação, relata Silval delator

Senador disse que Blairo e Taques poderiam barrar investigação, relata Silval delator

Ex-governador de Mato Grosso (PMDB) contou aos investigadores que Cidinho dos Santos (PR/MT) o visitou na prisão em Cuiabá no dia 22 de abril passado e citou ministro da Agricultura do governo Temer e atual governador como políticos que estariam dispostos a interromper Operação Ararath

Luiz Vassallo, Julia Affonso, Fausto Macedo e Marianna Holanda

25 Agosto 2017 | 14h23

Blairo Maggi e Pedro Taques. Fotos: Dida Sampaio e Nilton Fukuda / Estadão

Em delação premiada na Procuradoria-Geral da República, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) revelou que recebeu na prisão em 22 de abril a visita do senador Cidinho dos Santos (PR). Segundo Silval, que gravou a conversa, o senador teria dito que o governador Pedro Taques (PSDB), o ‘número 1 PTX’, o senador Wellington Fagundes (PR) e o ministro Blairo Maggi (Agricultura) poderiam agir para barrar a Operação Ararath – investigação sobre corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro que levou Silval à prisão.

As informações sobre a delação de Silval foram divulgadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quinta-feira, 24. A emissora divulgou vídeos entregues por Silval aos investigadores.

As imagens mostram o pagamento de propinas – em dinheiro vivo – a um grupo de políticos em uma sala do Palácio do Governo de Mato Grosso, na época em que o peemedebista ocupava a chefia do Executivo (2010/2014).

As gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete de Silval no governo, Silvio César. Nelas, o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB) aparece enfiando os maços de notas nos bolsos do paletó. Uma parte foi ao chão e ele, lépido, agacha-se para juntar as cédulas espalhadas.

O vídeo revela, ainda, o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP), contemplado com uma caixa de papelão cheia de dinheiro, o então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) enfiando os maços na mala, a atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra (PSB) estufando a bolsa, e o ex-deputado estadual Alexandre César (PT), que saiu com a mochila pesada.

Silval Barbosa disse à Procuradoria que o senador Cidinho, na visita ao Centro de Custódia de Cuiabá – onde o ex-governador permaneceu por mais de dois anos -. queria convencê-lo a não delatar o esquema de corrupção no Estado. Cidinho, ainda de acordo com o ex-governador, afirmou que seu grupo político estaria ‘trabalhando’ no Tribunal Regional Federal para esvaziar a Operação Ararath.

O ex-governador contou à Procuradoria-Geral da República que disse ao senador que estava disposto a confessar seus crimes e pagar fiança para sair da prisão. Segundo o delator, foi nesse momento que Cidinho comentou que o ministro Blairo Maggi, o senador Wellington Fagundes e o ‘número 1 PTX’ – referência ao governador Pedro Taques –  o ajudariam e já estariam até agindo no âmbito do Judiciário.

Silval disse que resolveu gravar visitas de antigos aliados depois a imprensa passou a informar que ele pretendia fazer delação premiada.

COM A PALAVRA, PEDRO TAQUES

O governador Pedro Taques vem a público reiterar que não tem nenhuma relação com os fatos noticiados pela imprensa acerca da delação do ex-governador Silval Barbosa. Pedro Taques reafirma que foi e é adversário político do grupo do ex-governador, não fez nem autorizou ninguém a fazer acordo de qualquer natureza com Silval Barbosa, e atribui a citação do seu nome na delação como uma tentativa rasteira e desonesta dos seus inimigos, movida por vingança, de envolvê-lo nesse escândalo monstruoso que envergonha Mato Grosso perante a Nação.

Pedro Taques afirma, ainda, que a atuação dos órgãos de controle do Governo do Estado (como CGE e PGE) – desde 01 de janeiro de 2015, primeiro dia de seu governo – foram fundamentais na elucidação dos crimes cometidos pelos gestores que o antecederam, contribuindo para levar à prisão o ex-governador, sua esposa e um de seus filhos, entre outros.

Cuiabá- MT, 25 de agosto de 2017.

GCOM – Secretaria do Gabinete de Comunicação do Governo do Estado de Mato Grosso

COM A PALAVRA, CIDINHO

Nota à Imprensa

Sobre notícia veiculada no Jornal da Globo, na noite de ontem, sobre uma visita minha ao ex-governador Silval Barbosa, tenho a esclarecer que:

1- Nunca neguei o fato que foi um ato de solidariedade a um ex-chefe de Estado, uma vez que, havia a informação de que estava em depressão e, embora não tenha trabalhado ou atuado no Governo dele, não justifica ignora-lo como muitos fizeram.

2- Não sou garoto de recado, não recebi orientação e não fui a mando de ninguém.

3- Lamento que no vídeo divulgado não conste o áudio, pois, seria de conhecimento de todos que nada falei no intuito de prometer qualquer benefício ao acusado.

4- Se há algo do que se envergonhar, fica a cargo do ex-governador, que fez tudo de caso pensado, agiu de ma fé e arquitetou um plano para livrar-se da cadeia. Benefício garantido pela prática da delação premiada.

4- Por fim, sigo com a consciência tranquila e inteiramente à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos.

Cidinho Santos

COM A PALAVRA, EMANUEL

O prefeito se manifestou por meio das redes sociais.

“Recebo com surpresa e indignação a notícia veiculada a minha imagem, totalmente deturpada pela noticiada delação premiada do ex governador do estado de Mato Grosso”.

“Por tratar-se de processo judicial com caráter sigiloso o qual ainda não tive acesso e, por recomendação dos meus advogados, não vou me estender a esta acusação”.

“O que tenho a plena ciência é que estamos no começo de uma grande mudança e humanização da capital de nosso Estado”.

“Temos vários obstáculos pela frente que com muito trabalho, dedicação e confiança iremos ultrapassar”.

“Não me falta coragem para seguir na construção da nossa Cuiabá dos 300 anos e na defesa da minha dignidade pessoal e da minha família”.

“Tenho a verdade do meu lado, 28 anos de vida pública transparente como minha principal testemunha para enfrentar esta injustiça”.

COM A PALAVRA, BLAIRO

NOTA À IMPRENSA

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja “mudanças de versões” em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.

Blairo Maggi

COM A PALAVRA, WELLINGTON FAGUNDES

NOTA À IMPRENSA

O senador Wellington Fagundes não teve acesso à delação do ex-governador Silval Barbosa à Justiça e irá se posicionar sobre toda e qualquer afirmação após tomar conhecimento do seu inteiro teor.

COM A PALAVRA, ALEXANDRE CESAR

O procurador do Estado e ex-deputado estadual (PT), Alexandre Cesar, disse que só ficou sabendo da delação por meio da imprensa. Questionado sobre as imagens, ele respondeu: “Não vou me manifestar sobre os cinco segundos (do vídeo). Vou responder sobre todo o processo, quando tiver acesso”.

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