‘Sempre nas eleições ele me procurava’, diz delator sobre Henrique Alves, terceira baixa do governo Temer

‘Sempre nas eleições ele me procurava’, diz delator sobre Henrique Alves, terceira baixa do governo Temer

Ex-presidente da Transpetro afirma em depoimento gravado na Procuradoria que fez quatro doações que somaram R$ 1,55 milhão a ministro do Turismo que nesta quinta-feira, 16, pediu demissão; veja o relato do delator sobre Henrique Eduardo Alves

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Isadora Peron e Gustavo Aguiar

16 de junho de 2016 | 16h49

Michel Temer (à esq.) e Henrique Eduardo Alves. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Michel Temer (à esq.) e Henrique Eduardo Alves. Foto: Ed Ferreira/Estadão

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou em depoimento gravado, na Operação Lava Jato, que fez quatro doações para o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) com dinheiro de propina. Henrique Alves pediu demissão nesta quinta-feira, 16, após ter seu nome envolvido na delação de Machado.

VEJA O RELATO SOBRE HENRIQUE ALVES A PARTIR DO MINUTO 4

A queda de Henrique Eduardo Alves representa a terceira baixa consecutiva do governo interino Michel Temer. Antes do ex-Turismo, caíram Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência), ambos flagrados tramando contra a Lava Jato, segundo os investigadores.

“Deputado que eu tinha ligação há muito tempo desde que eu fui deputado”, disse o delator referindo-se a Henrique Alves. “Sempre em eleições ele me procurava para fazer doações para ele para poder ajudar na campanha naquelas empresas que prestavam serviço para Transpetro.”

[veja_tambem]

“Fiz para ele quatro doações”, declarou Sérgio Machado.

O delator afirmou que R$ 1,55 milhão foram repassados a Henrique Alves da seguinte forma: pela empresa Queiroz Galvão foram pagos R$ 500 mil (2014), R$ 250 mil (2012) e R$ 300 mil (2008). Pela empresa Galvão Engenharia foram repassados R$ 500 mil (2010).

O delator declarou ainda que Henrique Alves chegou a levar algumas empresas da área de tecnologia ou serviços na subsidiária da Petrobrás para tentar que as contratasse, ‘mas nenhuma avançou’.

“Foi apresentar umas empresas para ver se elas podiam prestar serviços à Transpetro. Como elas não interessaram à Transpetro, fez um estudo, disse que não se enquadrava”, revelou Sérgio Machado.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.