‘Sem volta ao passado’, prega Barroso

‘Sem volta ao passado’, prega Barroso

Ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, alvo de frequentes hostilidades de Bolsonaro, vai às redes e posta mensagem do dia 7 em que assegura que, desde 1988 as eleições são 'livres, limpas e seguras'

Pepita Ortega e Rayssa Motta

07 de setembro de 2021 | 13h37

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Um dos alvos preferidos das hostilidades do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, publicou mensagem em seu perfil no Twitter neste 7 de Setembro exaltando a democracia e ressaltando que as eleições desde 1988 são ‘livres, limpas e seguras’. “Sem volta ao passado”, destacou.

O ministro Alexandre de Moraes, outro alvo da base bolsonarista, se manifestou de forma semelhante ao colega de corte, pregando a defesa da democracia.

Barroso e Alexandre são considerados desafetos pelo presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo chegou afirmar, às vésperas dos atos antidemocráticos marcados para esta terça-feira, 7, que os atos seriam um ‘ultimato para duas pessoas’, em referência aos magistrados.

Mais cedo, em Brasília, Bolsonaro fez um discurso em tom de ameaça ao Judiciário e ao Congresso. Sem citar diretamente a quem se referia, ele disse que ‘ou o chefe desse Poder enquadra o seu ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos’. No local, os manifestantes pró-governo ostentavam faixas em defesa da destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

O tom de Bolsonaro contra o STF subiu às vésperas do 7 de Setembro, mas a ofensiva do presidente contra alguns ministros já se estende há algum tempo.

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Barroso entrou na mira de Bolsonaro em razão da defesa da urna eletrônica e do sistema eleitoral brasileiro. Desde sua campanha ao Planalto, Bolsonaro faz alegações sem provas sobre as urnas eletrônicas, sendo que ao longo do último mês recebeu duros recados do Judiciário sobre o tema. Em uma articulada, o chefe do Executivo se tornou alvo de inquéritos sobre as bravatas contra a urna eletrônica.

Com perfil discreto, Barroso por vezes dá respostas breves e indiretas sobre a ofensiva do Planalto. Ao pedir a investigação do presidente pelos ataques ao sistema eletrônico de votação e as ameadas às eleições 2022, o magistrado chegou a dizer que a ‘obsessão’ de Bolsonaro por ele não ‘fazia qualquer sentido’ e ‘não era correspondida’.

Já o ministro Alexandre de Moraes se tornou um dos principais alvos do presidente em razão dos inquéritos que tem sob sua relatoria, muitos deles sensíveis ao Planalto e contra aliados do chefe do Executivo.

Nos últimos dias, a pedido da Procuradoria-Geral da República, Alexandre de Moraes determinou uma série de medidas contra apoiadores do presidente no inquérito sobre a ‘ilícita incitação da população, por meio das redes sociais, a praticar atos criminosos, violentos e atentatórios ao Estado Democrático de Direito e às suas instituições’ durante o feriado de 7 de Setembro.

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