‘Sem mensalão não haveria Lava Jato’, diz Gilmar Mendes

Para o ministro do Supremo, caso de Marcos Valério, condenado a quase 40 anos de prisão na ação penal 470, estimulou as delações premiadas no escândalo da Petrobrás

Fausto Macedo e Mateus Coutinho

04 de dezembro de 2015 | 12h37

 

Gilmar Mendes. Foto: Estadão

Gilmar Mendes. Foto: Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta sexta-feira, 4, em evento na Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo, que sem o mensalão não haveria Lava Jato. Ele citou o caso do empresário Marcos Valério, condenado a quase 40 anos de prisão na ação penal 470. Para o ministro, vários investigados no escândalo de corrupção na Petrobrás decidiram fazer a delação premiada para não terem o mesmo fim de Marcos Valério.

“Sem o mensalão, certamente nós não teríamos a Lava Jato. Fala-se muito na delação premiada que resultou em prisões. Mas é notório que, as condenações impostas e cumpridas no mensalão fizeram com que agora as pessoas assumissem uma outra postura e aí então o encaminhamento das delações premiadas”, afirmou o magistrado, para quem “o Brasil vive uma crise muito séria, institucional e econômica”

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Gilmar Mendes disse que “está convicto de que casos como o de Marcos Valério serviram de emblema , símbolo, para que as pessoas fizessem um devido cálculo.”

“Será que vale à pena ser condenado a 40, 50, 60 anos de prisão ou fazer uma delação premiada, contribuindo com a Justiça?”, disse o ministro. “Nós não teríamos isso sem o mensalão. Isso é extremamente importante para o Brasil, para a história do Judiciário, marcou de maneira decisiva a ruptura com aquele quadro comum de impunidade.

O ministro disse que “eventuais exageros que podem ocorrer na Lava Jato certamente a legislação poderá passar por um aprimoramento”. Segundo ele, “apesar de todos os problemas, o País avançou em termos institucionais.”

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