‘Sem imprensa livre a Justiça não funciona bem’, diz Cármen

‘Sem imprensa livre a Justiça não funciona bem’, diz Cármen

Ministra presidente do Supremo questiona, em seminário sobre liberdade de imprensa, na Sala de Sessões da Segunda Turma da Corte, 'porque o Brasil é tantas vezes lembrado no mundo como um dos lugares em que a profissão de jornalista continua a ser tantas vezes agredida, vilipendiada'

Da Redação

11 Junho 2018 | 14h53

Cármen Lúcia. Foto: EFE/Andre Coelho

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta segunda-feira, 11, que ‘sem a imprensa livre a Justiça não funciona bem, o Estado não funciona bem’. Ela criticou a violência contra jornalistas. Para a ministra, é preciso refletir por que em plena democracia questões como violência contra jornalistas ainda estão presentes. “Por que o Brasil é tantas vezes lembrado no mundo como um dos lugares em que a profissão de jornalista continua a ser tantas vezes agredida, vilipendiada?”, questionou. Segundo Cármen, o Brasil tem potencial para ser matriz, e não apenas cópia, de outras práticas de expressão e de imprensa para todos os povos.

As informações foram divulgadas no site do Supremo. Promovido pelo Conselho Nacional de Justiça, o ‘Seminário 30 anos Sem Censura: a Constituição de 1988 e a Liberdade de Imprensa’, reúne jornalistas e advogados para debater a importância da liberdade de expressão.

No discurso de abertura, a presidente do Supremo e do CNJ destacou que o objetivo do encontro é apresentar o resultado do relatório estatístico sobre liberdade de imprensa elaborado pela professora Tereza Sadek, chefe do Departamento de Pesquisas do CNJ, para colocar o tema em discussão tanto no poder Judiciário, quanto em outras esferas da sociedade civil.

Participaram da mesa de abertura da conferência o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia, o deputado federal Miro Teixeira (Rede/RJ) e a jornalista, escritora e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) Rosiska Darcy. Segundo Cármen, é de fundamental importância discutir questões como ‘o poder e a mídia, o poder da mídia e o poder na mídia’.

A presidente do STF ressaltou as mudanças significativas ocorridas nos meios de comunicação, no poder e na sociedade nos últimos 30 anos, destacando que ‘a Constituição precisa ser reinterpretada para se manter viva e coerente com as necessidades do povo brasileiro’.

“Talvez há 40 anos fosse impossível se cogitar um encontro como esse”, acredita.

Em homenagem ao jornalista, acadêmico e escritor Alberto Dines, que morreu em 22 de maio, a presidente do STF personificou seu agradecimento a cada um dos jornalistas brasileiros.

Citando Dines e o jornalista Hipólito da Costa, a ministra afirmou que é preciso prosseguir, ressaltando que só a cidadania responsável e comprometida produzirá um Estado melhor.

“Acredito num Brasil em que cada cidadão possa exercer a sua liberdade de maneira crítica, bem informada e para isso nós precisamos das mídias, da imprensa livre, de todas as formas de comunicação cidadã, por isso a importância de um encontro como esse.”