Selic continuará sendo motor para crescimento do mercado imobiliário nos próximos meses

Selic continuará sendo motor para crescimento do mercado imobiliário nos próximos meses

Bruno Gama*

13 de fevereiro de 2021 | 03h00

Bruno Gama. FOTO: DIVULGAÇÃO

O boom do mercado imobiliário nos últimos meses  provocou euforia para empresas do ramo, como construtoras, imobiliárias e até startups que facilitam a compra e venda de imóveis. O setor foi um dos únicos que conseguiu crescer em meio à crise econômica causada em consequência da pandemia do novo coronavírus, em 2020.

Contrariando todas as previsões negativas, o ano quebrou recordes com aumento expressivo da procura de financiamentos.  De janeiro a dezembro, os financiamentos de imóveis com utilização de recursos da poupança (SBPE) somaram o total de R$ 124 bilhões, representando um crescimento de 58% em relação a 2019, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP).

E esse otimismo e bom desempenho do setor tem tudo para continuar ainda no ano de 2021. Apesar dos desafios e inseguranças em relação à economia do país com o fim do auxílio emergencial e desemprego, o mercado imobiliário como um todo está otimista para os próximos meses e o principal motor disso é a baixa da taxa de juros básica. É esperado que a Selic possa flutuar sim, mas ela ainda vai se manter num patamar baixo, seja de 2,3% ou de 2,4% ou 3,4% até o fim do ano, como é previsto. Ainda assim, este índice está muito abaixo, comparado ao score que temos.

Isso permite que todo o setor se beneficie, incluindo incorporadoras que conseguem tomar crédito mais barato para construir e o cliente final que tem um crédito muito mais acessível para financiar um imóvel. A capacidade de compra do cliente aumentou muito com os juros baixos, um mesmo financiamento de  dois ou três anos atrás agora é possível para ele.

Além disso, a tendência de mudança do mindset das pessoas em relação ao morar também vai continuar. Com a pandemia e isolamento social, o imóvel precisa estar adequado para as nossas demandas sociais, de trabalho, estudo e lazer, que agora acabam ocupando o mesmo ambiente. Além do espaço em si da casa, a região de se morar também têm contado muito e influenciado na hora da tomada de decisão, e por isso muitos têm procurado sair de capitais ou centros urbanos, para ir até locais mais tranquilos, como litoral ou campo, o que impulsiona mais ainda o desejo de comprar uma casa nova.

Outro fator importante para o crescimento e sustentabilidade do setor é o recorde de arrecadação da poupança no último ano. Como os bancos utilizam muito este recurso para o financiamento imobiliário, isso significa que eles terão crédito em abundância para oferecer em 2021. A economia como um todo ainda se mantém estável em relação às taxas de juros em baixa e também porque em 2020 a inadimplência não subiu de forma significativa. Ou seja, os indicadores macro permanecem sustentáveis para o mercado imobiliário.

Todos esses pontos acabam se sobressaindo em relação aos desafios que teremos pela frente no que diz respeito às inseguranças econômicas e políticas, que permanecem no radar. Além disso, temos a chegada da vacina contra o coronavírus, que por si só já é um impulso para trazer esperança a todos os setores e reforçar ainda mais o setor de imóveis.

*Bruno Gama, CEO da CrediHome

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.