Secretário de Segurança do Maranhão diz que delegado que o acusou de escutas ilegais será responsabilizado

Jefferson Portela, chefe da pasta, acusa um ex-delegado preso preventivamente e outro licenciado do cargo de apresentarem 'versões caluniosas', em que o acusam de ordenar grampos ilegais contra desembargadores

Luiz Vassallo

22 de maio de 2019 | 06h00

O Secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portela, afirmou que a ‘carta ao povo’ do delegado Ney Anderson é ‘caluniosa’ e que ele será responsabilizado criminalmente. Licenciado da Polícia Civil, Anderson acusa o chefe da pasta de ordenar grampos contra desembargadores.

O delegado afirma confirmar o que disse em depoimento o ex-delegado Tiago Bardal, preso preventivamente por suposto envolvimento com descaminho e investigado por relação com uma quadrilha de assaltos a bancos. O secretário rebate as acusações.

“Considerando as versões criminosas apresentadas pelo preso Tiago Mattos Bardal e pelo Delegado licenciado Ney Anderson da Silva Gaspar, acusando o Sistema Estadual de Segurança Pública de investigar ilegalmente membros do Poder Judiciário do Estado do Maranhão, a Secretaria de Estado da Segurança Pública afirma que nenhuma das Autoridades referidas figurou no polo passivo de investigações criminais, portanto, não houve em momento algum a efetivação de interceptações de comunicações telefônicas, de informática ou telemáticas”, afirma.

“Considerando que tais notícias ofendem a honra de Servidores Públicos Estaduais, os autores serão criminalmente responsabilizados”, concluiu, por meio de nota, nesta terça-feira, 21.

A carta

Ney Anderson está atualmente licenciado da Polícia Civil do Maranhão. “Pedi afastamento por estar sofrendo perseguições”. Em sua carta, ele afirma confirmar informações de depoimento do ex-delegado Tiago Bardal, que está preso preventivamente por suposto envolvimento com uma quadrilha de contrabandistas de armas, cigarros e bebidas alcoólicas. Bardal também já foi preso em uma investigação contra quadrilhas especializadas em assaltos a banco.

“O secretário de Segurança mandava constantemente que apurássemos algo ilícito de alguns desembargadores, pedia que iniciássemos as investigações pelos assessores, chegando a pedir que inseríssemos em interceptações de facções criminosas o número telefônico desses assessores, conhecida como “barriga de aluguel”, porém nunca compactuamos com esses pedidos, pois até então não tínhamos qualquer fato que ensejasse uma investigação preliminar”, diz, em carta.

Entre os desembargadores citados na carta estão Guerreiro Júnior, Nelma Sarney, Tyrone Silva e Foz Sobrinho. Sobre a cunhada do ex-presidente da República, José Sarney (MDB), ele diz: “A desembargadora Nelma sempre foi alvo do Secretário de Segurança, chegando a falar em colocar escutas ambientais nos seus veículos e inserir também o número de assessores em operações de interceptação telefônica com outros objetivos, além de investigar seu irmão, chamado Telmo”.

 

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