Secretária teve coragem de quebrar silêncio que impera na Odebrecht, diz delegado da Omertà

Secretária teve coragem de quebrar silêncio que impera na Odebrecht, diz delegado da Omertà

Filipe Hille Pace, que afirma não ser imprescindível o depoimento do empreiteiro Marcelo Odebrecht, enalteceu destemor de Maria Lúcia Tavares, até aqui única delatora do setor de propinas do grupo

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

26 de setembro de 2016 | 17h09

Maria Lúcia Tavares foi presa na 23ª fase da Lava Jato. Foto: Geraldo Bubniak/AGB - 16/05/2014

Maria Lúcia Tavares foi presa na 23ª fase da Lava Jato. Foto: Geraldo Bubniak/AGB – 16/05/2014

O delegado Filipe Hille Pace, da Polícia Federal, destacou nesta segunda-feira, 26, a ‘coragem’ da ex-secretária do alto escalão da Odebrecht Maria Lúcia Tavares, em delatar o setor secreto de propina da empreiteira.

As relações do grupo com o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) são alvo da Operação Omertà, 35ª fase da Lava Jato deflagrada nesta segunda-feira, 26 – Palocci foi preso em São Paulo e transferido para Curitiba, base da Lava Jato.

Única delatora da Odebrecht até aqui, Maria Lúcia relatou aos investigadores o passo a passo da rotina das propinas pagas pela empreiteira.

Presa em fevereiro na Operação Acarajé, fase da Lava Jato, Maria Lúcia fez acordo de cooperação com a força-tarefa do Ministério Público Federal em troca de sua liberdade e de um possível perdão judicial.

“A colaboradora Maria Lúcia Tavares foi a única até o momento a ter coragem de quebrar o silêncio que impera na Odebrecht. A colaboração dessa pessoa foi muito importante não só pelo fato de ela descortinar e demonstrar para a gente o modo de atuação do Setor de Operações Estruturadas”, declarou o delegado.

Segundo o delegado, o ‘conhecimento’ de Maria Lúcia permitiu que a Lava Jato analisasse novamente o material apreendido na Operação Erga Omnes, 14ª fase da operação que prendeu preventivamente Marcelo Odebrecht, em 19 de junho de 2015.

“Ela sabia apenas o codinome de ‘Feira’, referência ao casal João Santana e sua esposa”, afirma o delegado, em referência ao casal de marqueteiros das campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014).

Segundo o delegado, a secretária fez revelações importantes sobre a verdadeira identidade de ‘italiano’, que agora a PF afirma se tratar de Palocci.

“(Maria Lúcia) Nos trouxe os elementos necessários para hoje podermos afirmar sem sombra de dúvida que quando a Odebrecht se referia a ‘Italiano’, ela se referia a Antonio Palocci Filho.”

Omertà aponta que o pagamento de propina a Palocci era consolidado em uma planilha – denominada ‘Posição Programa Especial Italiano’.

O termo ‘italiano’ seria o codinome para se referir ao ex-ministro.

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