‘Se tiver dignidade, Assembleia não vai compactuar com isso’, desafia Campos Machado

‘Se tiver dignidade, Assembleia não vai compactuar com isso’, desafia Campos Machado

Líder do PTB diz que denúncia da Procuradoria-Geral de Justiça contra Fernando Capez (PSDB) é 'uma loucura incomensurável' e propõe virada de jogo 'contra a ditadura do judiciário'

Luiz Vassallo

17 Janeiro 2018 | 05h00

Campos Machado Foto: Werther Santana / Estadão

‘Uma loucura incomensurável’, assim classifica o líder do PTB e um dos principais aliados do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo, Campos Machado, à denúncia apresentada contra o deputado Fernando Capez (PSDB) no âmbito da Operação Alba Branca, que investiga desvios em contratos no fornecimento de merenda escolar às escolas paulistas.

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Para o parlamentar, a Casa precisa reagir contra o que chama de ‘ditadura do judiciário’ e investigadores devem ser convocados para prestar esclarecimentos sobre a condução dos inquéritos.

Capez e outros 8 foram denunciados por supostos desvios de R$ 1,1 milhão em contratos da Secretaria Estadual de Educação com a Cooperativa Agrícola Familiar (COAF) para o fornecimento de suco de laranja. A Operação Alba Branca foi responjsável por desarticular os crimes contra licitação na pasta.

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Campos Machado diz estranhar que a abertura do inquérito tenha se dado em agosto de 2014 e só ter chegado ao conhecimento de Capez em janeiro de 2016. “Onde estava o secretario de Segurança Pública? Quem indicou o (delegado) seccional de Araçatuba?”.

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O líder do PTB propõe até mesmo para que o jogo seja virado contra os investigadores da Operação Alba Branca, deflagrada contra desvios em licitações para o fornecimento de merenda escolar ao Estado e a municípios paulistas.

“O que temos que ouvir é as pessoas que realizaram esse inquérito. Eu vou requerer que sejam ouvidos os delegados que conduziram o inquérito, os promotores que assinaram. Eu vou requerer isso. Estou assegurando que vai haver reação da Assembleia porque não existem provas”.

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Peça do centrão, mas um dos maiores aliados do governo Alckmin, o líder do PTB, veterano da Casa – elegeu-se em 1990 e, desde então, tem sido reeleito sucessivamente – é um crítico do Ministério Público. Em 2013, mesmo período em que se discutia a polêmica PEC 37, que reduzia o poder de investigação criminal do Ministério Público, ele encampou uma emenda constitucional que prevê excepcional concentração de poderes nas mãos do procurador-geral de Justiça, afastando os promotores da função de investigar por improbidade prefeitos, secretários de Estado e deputados estaduais.

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Para Campos, o pedido de afastamento contra Capez – protocolado pela Procuradoria-Geral de Justiça e negado pelo TJ – é ‘o absurdo dos absurdos’. “uma loucura incomensurável. Segundo, o Capez, eu acredito, ele tem aquela maneira de ser, dizem que é um pouco arrogante, mas é um político honesto. O que aconteceu aí é que a presunção da inocência não existe mais. Existe a presunção da culpa. Estamos caminhando para a pior ditadura que existe que é a do judiciário!”.

Em 2013, mesmo período em que se discutia a polêmica PEC 37, que reduzia o poder de investigação criminal do Ministério Público, ele encampou uma emenda constitucional que prevê excepcional concentração de poderes nas mãos do procurador-geral de Justiça, afastando os promotores da função de investigar por improbidade prefeitos, secretários de Estado e deputados estaduais.

Para Campos, o pedido de afastamento contra Capez – protocolado pela Procuradoria-Geral de Justiça e negado pelo TJ – é ‘o absurdo dos absurdos’. “uma loucura incomensurável. Segundo, o Capez, eu acredito, ele tem aquela maneira de ser, dizem que é um pouco arrogante, mas é um político honesto. O que aconteceu aí é que a presunção da inocência não existe mais. Existe a presunção da culpa. Estamos caminhando para a pior ditadura que existe que é a do judiciário!”.

O líder do PTB propõe até mesmo que o jogo seja virado contra os investigadores da Operação Alba Branca, deflagrada contra desvios em licitações para o fornecimento de merenda escolar ao Estado e a municípios paulistas.

“O que temos que ouvir é as pessoas que realizaram esse inquérito. Eu vou requerer que sejam ouvidos os delegados que conduziram o inquérito, os promotores que assinaram. Eu vou requerer isso. Estou assegurando que vai haver reação da Assembleia porque não existem provas”.

“A Assembleia precisa atuar com dignidade, sem medo e em defesa de um poder que tem 150 anos. É um poder amordaçado e tem um poder que quer ser maior que o outro poder. eu fiz questão de falar com você. Eu vou requerer que a Assembleia se posicione contra essa aberração”, afirma.

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