‘Se qualquer pessoa ousou criar perfil, usando o meu nome, com CPF falso, eu peço prisão e faço questão de apertar as algemas’, reage Joice

‘Se qualquer pessoa ousou criar perfil, usando o meu nome, com CPF falso, eu peço prisão e faço questão de apertar as algemas’, reage Joice

Dois ex-auxiliares da deputada, que tiveram a identidade preservada, afirmam que equipe era obrigada a criar perfis falsos para atacar adversários políticos

Rayssa Motta e Fausto Macedo

05 de junho de 2020 | 17h29

Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde desta sexta, 5, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) negou as acusações de que seu gabinete seria usado para produzir notícias falsas e ataques a adversários políticos. A parlamentar afirmou que a denúncia foi ‘forjada’.

Além de relatos de dois ex-funcionários, áudios da deputada e trocas de conversas atribuídas a ela foram divulgados pela CNN Brasil. Segundo Hasselmann, as mensagens são falsas e os áudios foram descontextualizados.

“Se qualquer pessoa ousou a criar qualquer perfil usando o meu nome com CPF falso, eu peço a prisão e faço questão de apertar as algemas”, disse.

Os deputados Bia Kicis (PSL-DF) e Carlos Jordy (PSL-RJ) já articulam para levar o caso à Comissão de Ética da Câmara.

Joice Hasselmann. FOTO: Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil

A denúncia partiu de dois ex-auxiliares da deputada que foram ouvidos na condição de anonimato. A dupla afirma que funcionários da parlamentar eram cobrados a fazer ‘montagens de vídeos’, ‘criar narrativas’ e ‘alimentar perfis falsos’ nas redes sociais, supostamente monitorados pela própria Joice Hasselmann.

Os principais alvos do gabinete, segundo eles, seriam desafetos criados após a ruptura da ex-líder do governo com o presidente Jair Bolsonaro e incluiriam as colegas de parlamento, Bia Kicis e Carla Zambelli (PSL-SP), além dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Mais cedo, nas redes sociais, Joice já havia classificado a denúncia como ‘patética e mentirosa’ e acusou os ex-funcionários de serem ‘infiltrados’ do governo.

A reportagem mostrou ainda supostas trocas de mensagens entre a deputada e um assessora, nas quais ela pede que se ‘coloque todos os perfis para trabalhar no Twitter fazendo comentários positivos’ sobre sua pré-candidatura à prefeitura de São Paulo. Na conversa, ela ainda teria repreendido a funcionária por ter criado ‘apenas’ um perfil falso, e emenda: ‘falei para você fazer vários’.

Em áudios veiculados e obtidos pelo Estadão, Joice Hasselmann pede que a assessora crie uma hashtag contra Bia Kicis e um vídeo vazando áudios de Carla Zambelli que supostamente confirmariam ataques do governo contra o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro (ouça abaixo os áudios e assista ao vídeo em seguida).

Zambelli afirma que a fala usada no vídeo foi ‘tirada de contexto’. Segundo ela, o trecho foi cortado de um áudio enviado ao porta-voz do movimento Nas Ruas, Tomé Abduch, e se referia à votação do Plano Mansuetto, no dia 2 de maio no Senado.

‘Chumbo trocado’. Ex-aliada bolsonarista, Joice Hasselmann rompeu com o Planalto depois de um racha’ no PSL que terminou com a debandada dos Bolsonaro do partido. Ela chegou a disputar a liderança da sigla na Câmara, enquanto o presidente articulava para que o caçula, Eduardo Bolsonaro, assumisse o posto.

A própria deputada acusa o Planalto e seus aliados de envolvimento em esquemas de disseminação de notícias falsas e discursos de ódio. Em dezembro do ano passado, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News da Câmara dos Deputados, ela chegou a afirmar que um dos grupos de propagadores de notícias falsas e difamações mais ativos seria o chamado ‘gabinete do ódio‘, integrado por assessores especiais da Presidência da República. O grupo seria pautado, segundo ela, pelos filhos mais novos do presidente, Eduardo e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), e pelo ‘guru’ Olavo de Carvalho.

Na semana passada, após apoiadores bolsonaristas terem computadores, documentos e celulares apreendidos como provas no inquérito nas fake news, Joice voltou a atacar o governo. A deputada afirmou que ‘no fim da linha do esquema’ investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) está o Palácio do Planalto. Segundo ela, ‘o esquema de produção de ataques e mentiras contra adversários políticos e a democracia’ envolve dinheiro público de gabinetes de políticos ligados à família Bolsonaro e recursos de empresários com trânsito constante no Palácio do Planalto.

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