‘Se o STF é igualitário, por que não ter ministro evangélico?’, diz Damares

‘Se o STF é igualitário, por que não ter ministro evangélico?’, diz Damares

Ministra Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira, 15, que nomeação seria 'natural' e não teria como critério aspecto religioso, mas, sim, a capacidade

Breno Pires/BRASÍLIA

15 de julho de 2019 | 20h51

A ministra Damares Alves Foto: Dida Sampaio/Estadão

A ministra Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira, 15, que seria natural a indicação de um evangélico para o Supremo Tribunal Federal por parte do mandatário e que isso não se daria pelo aspecto religioso, e sim pela capacidade.

“Se a Suprema Corte é igualitária, representa todos os interesses, e nós nunca tivemos um ministro evangélico, por que não ter um ministro evangélico na Suprema Corte? E eu vou dizer uma coisa. É tão natural isso, tão óbvio. Os alguns candidatos que estou vendo aí, alguns são cristãos, são evangélicos. Então vejo isso com muita naturalidade”, disse Damares, durante um evento nos Estados Unidos com a comunidade evangélica.

O comentário veio horas depois de Jair Bolsonaro afirmar no Brasil que o atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), André Luiz Mendonça, é “terrivelmente evangélico”. O presidente já havia dito semana passada que irá indicar alguém com estas características para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

“Ele (Bolsonaro) não vai escolher ninguém que seja evangélico, ele vai escolher por capacidade. Mas se tiver três evangélicos ele vai nomear um dos três, como no passado tiveram candidatos evangélicos que não foram nomeados”, complementou Damares Alves, sem citar nomes.

O comentário foi feito em resposta a uma pergunta sobre como ela avaliava as declarações do presidente quanto à intenção de indicar um ministro “terrivelmente evangélico” ao STF.

Porta-voz

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou, nesta segunda-feira, 15, que o presidente Jair Bolsonaro “buscará um alinhamento ideológico” ao escolher nomes para as duas vagas que serão abertas no Supremo Tribunal Federal (STF) durante o seu mandato.

Em conversa com jornalistas, Rêgo Barros disse que o presidente “buscará aspectos legais” quando tiver que fazer as indicações, mas também quer pessoas com os mesmos “valores de família e contra a corrupção”. Ele foi questionado sobre a declaração do presidente de que pretende indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para o posto.

“Naturalmente, (Bolsonaro) também buscará um alinhamento ideológico, que seria natural de pessoas que têm como ‘core’ do seu dia a dia os valores de família, os valores contra a corrupção, que é disso que nosso país tanto precisa”, declarou Rêgo Barros.

Em maio, o presidente disse que o ministro da Segurança, Sergio Moro, será indicado para a próxima vaga do STF. Nos últimos dias, ele se comprometeu a entregar uma das vagas para um evangélico.

Hoje, Bolsonaro voltou a dizer que o advogado-Geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça, é um ministro “terrivelmente evangélico”. Na semana passada, o presidente sinalizou que Mendonça está em uma lista de favoritos para assumir o posto.

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