‘Se o PR exonerar o Valeixo, o Sr topa conversar para ver um nome que atenda a ambos?”

‘Se o PR exonerar o Valeixo, o Sr topa conversar para ver um nome que atenda a ambos?”

Deputada Carla Zambelli exibe, em entrevista à CNN Brasil, mensagens que trocou por WhatsApp com o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, que renunciou ao cargo acusando o presidente Jair Bolsonaro de querer interferir na Polícia Federal; Estado também obteve as imagens

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

25 de abril de 2020 | 13h51

A deputada federal Carla Zambelli exibiu, em entrevista à CNN Brasil, imagens de conversas com o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, em que pede ao chefe da pasta: ‘Se o PR exonerar o Valeixo, o sr topa conversar para ver um nome que atenda a ambos?’ – PR é uma referência a Presidente da República. Na conversa, a parlamentar também pede para que o ministro não deixe o cargo. O Estado também obteve acesso ao material.

Durante o diálogo, a deputada questiona o ministro: “O dr. Valeixo é o homem certo para dirigir a PF?”. “Me apontaram umas coisas sobre as atitudes dele na Lava Jato”. E, completa: “Uma mudança agora seria bem vinda”.

No diálogo, a deputada também faz um apelo ao ministro para que ele não deixe o cargo. “Não saia, por favor. O Brasil vai entrar em colapso”. “O Sr é muito maior que um cargo. O Brasil depende do Sr estar no MJ”.

A parlamentar também pede o andamento de investigações da Operação Lava Jato no Congresso Nacional. “Ministro, investigação neste caso é da PF?”, diz ao mostrar uma notícia sobre a PGR cobrando a conclusão de investigações dobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Moro, então, exibe uma notícia sobre a PF, que atribuiu três crimes a Maia no caso Odebrecht. “Esta a PGR Raquel arquivou. Há outras investigações em curso”, diz Moro.

Nesta sexta, 24, a deputada confirmou ao Broadcast Político que trocou mensagens com Sergio Moro, sugerindo a ele que aceitasse a indicação de Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para a Direção-Geral da Polícia Federal.

As imagens são tidas por Moro como uma prova de que ele não pleiteava ao presidente uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Quando a deputada cita essa possibilidade, Moro diz: “Prezada, não estou à venda”.

 

“Na sequência, eu disse para ele que se tem alguém que não tem preço, é ele”, afirmou. “O que eu quis dizer era que milhões de pessoas iam ficar triste com sua saída”, disse. “O Brasil inteiro quer ele no STF e eu quis dizer que eu ajudaria nisso”, afirmou ao Broadcast.

A parlamentar, no entanto, lamentou o vazamento da conversa. “Eu nunca imaginei que o ministro Moro fosse capaz de vazar um print, eu jamais faria isso com ele”, disse.

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