‘Se o Espírito Santo não nos ajuda, rezemos para que preserve o nosso senso de ridículo’, a prece de Gilmar

‘Se o Espírito Santo não nos ajuda, rezemos para que preserve o nosso senso de ridículo’, a prece de Gilmar

Da Redação

28 de junho de 2017 | 16h09

Ministro Gilmar Mendes. Foto: Estadão

O ministro Gilmar Mendes continua o ataque sem tréguas ao Ministério Público na sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira, 28. Ao se referir ao que classifica de abusos da Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato, o ministro propôs uma prece. “Se o Espírito Santo não nos ajuda, e se não preserva o nosso senso de Justiça, rezemos para que preserve o nosso senso do rídiculo.”

“Quanta irresponsabilidade”, seguiu Gilmar ao narrar o caso do ex-presidente José Sarney, de quem a Procuradoria requereu, em junho de 2016, a prisão preventiva por suposta participação em trama de obstrução de Justiça.

O pedido da Procuradoria teve origem na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que gravou reuniões com Sarney e com outros caciques do PMDB, os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá.

Gilmar destacou que o então relator da Lava Jato, ministro Teori Zavascki – morto em janeiro -, rejeitou o pedido de prisão de Sarney alegando que ‘não houve demonstração de que o plano de interferir em sua jurisdição era sincero’.

Segundo o ministro, o procurador-geral – no Plenário sentado próximo do ministro – ‘recauchutou as representações por medidas cautelares, transformando-as em pedido de abertura de inquérito’.

Gilmar destacou que o procurador pretende ‘investigar quantas vezes um advogado notório, amigo do magistrado falecido, esteve nesse tribunal’.

“Para tanto pediu a obtenção de todos os registros de entrada e deslocamentos do advogado neste tribunal. E pedia mais: postulou que pudesse participar diretamente da diligência ou praticá-la diretamente. Um tipo de delírio, colocando em dúvida as informações que o tribunal prestaria ao Ministério Público.”

“É preciso ser dito para colocar limites a esses absurdos, trazer isso à luz do sol, para que não se diga que a expressão ‘há uma ameaça de estado policial’ é uma expressão de retórica. Não. Há uma ameaça sim, verdadeira, absusiva, e vilipendia a dignidade da Corte. E não venham dizer que a Corte deve lealdade ao Ministério Público. A Corte deve lealdade à Constituição.”

“Todos estes casos têm muito em comum. Investigações sem futuro são movidas contra pessoas que não serão acusadas de nada, mas que para demonstrar a própria inocência teriam que produzir prova negativa.”