‘Se não tivesse propina, negócio não prosseguia’, diz delator de Zelada

Hamylton Padilha, que aceitou pagar multa de R$ 70 milhões, relatou por escrito 'graves irregularidades' na Diretoria Internacional da Petrobrás envolvendo sucessor de Nestor Cerveró

Redação

05 de agosto de 2015 | 05h00

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Jorge Zelada após ser preso no início de julho. Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O engenheiro civil Hamylton Pinheiro Padilha Junior, novo delator da Operação Lava Jato, declarou por escrito ao Ministério Público Federal que ‘no melhor de suas lembranças pode esclarecer graves irregularidades que envolvem a contratação da sonda Titanium Explorer, no ano de 2008, com a Diretoria Internacional da Petrobrás’.

Na ocasião, disse Padilha, a Internacional era dirigida por Jorge Luiz Zelada, preso em 2 de julho pela Conexão Mônaco, 15.º capítulo da Lava Jato, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas – ele teria depositado em Mônaco 20 milhões de euros.

Zelada se cala na PF

+ Ex-diretor é réu em processo envolvendo a Odebrecht no Rio

Padilha, apontado como lobista com ampla atuação nos negócios da Petrobrás, fechou acordo de delação com a Lava Jato. O documento já foi homologado pela Justiça Federal. Ele se comprometeu a pagar R$ 70 milhões em multa, valor que deverá ser devolvido à estatal petrolífera, vítima do cartel de empreiteiras que se apossou de contratos bilionários das diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional – nesta última durante a gestão de Nestor Cerveró e de seu sucessor, Zelada.

Padilha relatou que na sonda Titanium Explorer a negociação foi feita entre a Petrobrás e uma empresa estrangeira, representada por ele, a Vantage Drilling Corp.Ele disse que ‘foi abordado por Raul Schmidt que lhe informou que o negócio só prosseguiria com a diretoria da Petrobrás Internacional se houvesse pagamento de propinas’. Afirma ter sido avisado que ‘sem tais pagamentos era impossível a finalização da negociação’.

O delator contou que ‘estava envolvido o novo diretor Jorge Zelada, em substituição a (Nestor) Cerveró’. Naquela ocasião, ainda segundo Padilha, lhe foi apresentado João Augusto Henriques como ‘intermediário’ de Zelada. “Seria a pessoa que daria instruções para o recebimento das propinas.”

A delação tem peso decisivo na investigação contra o ex-diretor da Petrobrás. Quando Zelada foi preso pela Conexão Mônaco, há um mês, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, disse que existem ‘fartos indicativos’ de pagamento de propinas para o ex-diretor de Internacional da Petrobrás.

“Em relação à Diretoria de Internacional temos fartos indicativos que ele (Zelada) recebeu valores pela celebração de contratos de aluguel de sondas”, declarou Carlos Lima. “Tínhamos há muito tempo indicativos de que essa área era muito importante para as investigações de corrupção. São valores que atingem de US$ 500 mil a US$ 1 milhão por dia e qualquer pequena variação mínima nos contratos em favor da outra parte significa a longo prazo muito dinheiro.”

Conexão Mônaco, que pegou Zelada, é uma referência ao paraíso fiscal onde o ex-diretor mantinha quase onze milhões de euros em contas secretas.”Temos algumas sondas específicas que a própria Petrobrás já indicou que o contrato possui uma série de irregularidades, singularidades que favoreciam extremamente a parte que estava contratando com a Petrobrás.”

Zelada nega taxativamente envolvimento em irregularidades na Petrobrás.

Tudo o que sabemos sobre:

Jorge Zeladaoperação Lava Jato

Tendências: