‘Se há cobrador, há alguém disposto a pagar’, diz lobista a Moro

‘Se há cobrador, há alguém disposto a pagar’, diz lobista a Moro

Luiz Vassallo

20 de julho de 2017 | 05h00

Jorge Luz. Foto: Reprodução

O lobista Jorge Luz, afirmou, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta-feira, 19, que, dentro dos esquemas de corrupção na Petrobrás ‘não existe nenhum santo’, e rechaçou as afirmações de réus confessos e delatores, que disseram à Justiça que os desvios na estatal são ‘a regra do jogo’. Na mesma ocasião, ele admitiu ter participado da negociação e dos repasses de R$ 11,5 milhões desviados da petrolífera para o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).

Lobista revela R$ 11,5 mi de propinas a Renan, Jader e Anibal

‘Jader, Renan, Anibal, Silas, esses são os agentes políticos’, diz lobista sobre propinas ao PMDB

‘Essa conta era do PMDB’, afirma lobista a Moro sobre propinas a Renan, Jader, Anibal e Silas Rondeau

Questionado a respeito dos motivos que levaram as empresas a pagar propinas a agentes políticos e públicos, ele disse que não daria a mesma resposta de outros acusados que assumiram seus crimes.

“Eu tenho visto que o senhor fica muito zangado quando as pessoas vem aqui e dizem: ‘é a regra do jogo’. Não tem santo nessa história. Se há um cobrador, alguém está disposto a pagar”, afirmou.

O lobista é réu acusado de intermediar propinas de R$ 2,5 milhões de executivos da empreiteira Schahin para funcionários da Petrobrás no âmbito de contratos da estatal.

Ele e seu filho, Bruno, também são investigados neste processo por intermediar valores indevidos a políticos do PMDB.

Preso desde fevereiro no âmbito da Operação Blackout, 38.ª fase da Lava Jato, o lobista revelou que foi acertada propina de R$ 11,5 milhões de desvios da Petrobrás ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e ao deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) em troca do suposto apoio para fortalecer os ex-diretores da área Internacional Nestor Cerveró e de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, na estatal.

Ele diz ter sido informado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB, que os dois agentes públicos estariam ‘balançando’ em seus cargos por volta de 2005, e , por isso, pediu ajuda aos parlamentares.

Em troca da suposta solicitação, os três teriam pedido propinas.

Tendências: