Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas, afirma Cunha sobre seu delator

Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas, afirma Cunha sobre seu delator

Presidente afastado da Câmara nega 'qualquer recebimento de vantagem indevida'; Fábio Cleto, ex-vice da Caixa acusa o parlamentar de receber propinas em 12 operações de grupos empresariais que obtiveram aportes milionários do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS)

Fábio Fabrini e Fábio Serapião, de Brasília

01 de julho de 2016 | 08h15

Eduardo Cunha foi afastado do mandato por unanimidade. Foto: André Dusek/Estadão

Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reagiu nesta sexta-feira, 1, às afirmações do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto que acusa o parlamentar de receber propinas em 12 operações de grupos empresariais que obtiveram aportes milionários do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). Fábio Cleto é um dos delatores da Operação Lava Jato.

Eduardo Cunha afirmou que desconhece ‘o conteúdo da delação, por isso não posso comentar detalhes’.

“Reitero que o cidadão delator foi indicado para cargo na Caixa, pela bancada do PMDB/RJ, com meu apoio, sem que isso signifique concordar com qualquer prática irregular. Desminto, como aliás já desmenti, qualquer recebimento de vantagem indevida. Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas. Desafio qualquer um a provar a veracidade dessas delações como também qualquer vinculação, de qualquer natureza, com as contas mencionadas por esses delatores”, declarou Eduardo Cunha.

Em depoimentos prestados à Procuradoria-Geral da República (PGR), ele contou que Cunha cobrava comissões variáveis, de 0,3%, 0,5% ou até mais de 1% dos repasses feitos pelo fundo, conforme fonte com acesso às investigações relatou ao Estado.

Cleto foi vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa entre 2011 e dezembro do ano passado, indicado ao cargo por Cunha. Ele integrava também o Comitê de Investimento do FI-FGTS, colegiado que aprova os repasses de recursos em empresas. Aos procuradores da Operação Lava Jato, o delator contou que tinha reuniões semanais com o peemedebista, em Brasília, para informar de forma pormenorizada quais grupos buscavam apoio do banco público e definir quais seriam os alvos do achaque.

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